Consumidor mais atento aos rótulos eleva exigência por análises confiáveis na indústria de alimentos
Aplicativos de avaliação de ingredientes e a busca por produtos mais saudáveis aumentam a pressão por qualidade e rastreabilidade dos dados laboratoriais.
A forma como o consumidor escolhe alimentos está mudando. Informações antes restritas à comparação de preço, sabor ou marca passaram a dividir espaço com a análise detalhada da composição nutricional dos produtos. Ingredientes naturais, menor teor de açúcar, ausência de corantes artificiais e características relacionadas à composição das gorduras estão cada vez mais presentes na decisão de compra. Para a indústria de alimentos, essa mudança traz um desafio adicional: conhecer, controlar e comprovar com precisão aquilo que está sendo entregue ao consumidor.
O movimento ganha força também com a popularização de aplicativos que permitem escanear rótulos e avaliar alimentos a partir de seus ingredientes e informações nutricionais. Com a informação mais acessível, o consumidor consegue comparar produtos ainda no ponto de venda e passa a questionar com maior facilidade sua composição. “Quanto mais o consumidor toma decisões com base na composição nutricional, maior é a pressão sobre a indústria para controlar essa composição de forma rápida e confiável”, afirma Jéssica Ospedal, especialista técnica da Pensalab.
Nesse cenário, as análises laboratoriais deixam de representar apenas uma etapa do controle de qualidade e assumem papel estratégico para as empresas. São elas que ajudam a caracterizar os produtos, validar formulações e comprovar parâmetros de qualidade e composição que posteriormente estarão presentes em rótulos, especificações técnicas e processos de controle.
Segundo Jéssica, a crescente importância dos atributos nutricionais torna especialmente relevante o uso de análises laboratoriais de referência. Métodos utilizados para determinar componentes como proteínas e gorduras, por exemplo, contribuem tanto para verificar resultados quanto para construir bases analíticas consistentes e desenvolver calibrações utilizadas em análises de rotina. “Vejo uma oportunidade gigantesca de explorarmos o papel das análises laboratoriais de referência porque, à medida que atributos nutricionais ganham peso na escolha do consumidor, surgem novos desafios para desenvolvimento, padronização e controle. Resultados analíticos confiáveis são imprescindíveis para caracterização dos produtos, validação de novas formulações e comprovação dos novos parâmetros de qualidade e composição”, explica.
A especialista destaca que os métodos de referência têm uma função que vai além da obtenção de um resultado pontual. “Métodos de referência para determinação de proteínas e gorduras, por exemplo, têm papel fundamental não apenas no controle e na validação dos resultados, mas também na construção de bases analíticas robustas e no desenvolvimento de calibrações”, acrescenta.
Na prática, quanto maior a necessidade de velocidade na tomada de decisão dentro das fábricas, maior também a importância de contar com uma referência analítica sólida. Tecnologias capazes de acelerar análises e ampliar o volume de amostras avaliadas dependem de calibrações e dados confiáveis para que seus resultados possam orientar decisões sobre matérias-primas, novas formulações e produtos acabados.
A mudança no comportamento do consumidor torna essa precisão ainda mais relevante. Uma diferença na composição pode deixar de ser apenas uma questão técnica interna e passar a interferir diretamente na percepção de qualidade do produto, sobretudo quando consumidores utilizam as informações do rótulo para comparar alternativas disponíveis no mercado.
Para Jéssica, existe uma relação direta entre o trabalho realizado dentro do laboratório e a confiança na informação apresentada fora dele. “É uma frente importante para reforçarmos como a qualidade da informação que chega ao consumidor começa, necessariamente, pela qualidade e rastreabilidade do dado gerado no laboratório”, conclui.
Nesse novo ambiente, a capacidade de produzir informações analíticas precisas, rastreáveis e obtidas com agilidade tende a ganhar espaço não apenas como requisito de controle de qualidade, mas como parte da estratégia da indústria para responder a um consumidor que quer saber, cada vez mais, o que está levando para casa.
Por Jéssica Ospedal
especialista técnica da Pensalab
Artigo de opinião



