Casais sem filhos transformam o mercado imobiliário no Brasil
Com 13,9 milhões de famílias, casais sem filhos impulsionam imóveis funcionais e conectados à rotina urbana
O perfil das famílias brasileiras está em transformação, e isso reflete diretamente no mercado imobiliário. Segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE, os casais com filhos deixaram de ser a maioria absoluta das famílias no país. Atualmente, os casais sem filhos correspondem a 24,1% do total, o que equivale a 13,9 milhões de famílias, conforme levantamento publicado pelo g1.
Essa mudança acompanha tendências mais amplas na forma de viver e trabalhar. Famílias menores, casais com dupla renda, profissionais que adotam modelos híbridos e jovens adultos que priorizam a localização valorizam imóveis com plantas flexíveis, ambientes integrados e condomínios que oferecem serviços práticos para o dia a dia.
Flexibilidade e aproveitamento inteligente dos espaços
Embora a metragem continue sendo um fator importante, o uso eficiente de cada metro quadrado passou a ser decisivo na escolha do imóvel. Ambientes integrados, como a conexão entre cozinha, sala e varanda, além de espaços adaptáveis para o trabalho remoto, são cada vez mais valorizados. Essa configuração evita áreas pouco utilizadas e atende às necessidades de uma rotina multifuncional.
Além disso, a proporção de famílias formadas por casais sem filhos quase dobrou em duas décadas, passando de 14,9% em 2000 para 26,9% em 2022, quando considerados também os arranjos em que o casal vive com algum parente que não seja filho, segundo dados da Agência Brasil baseados no mesmo levantamento do IBGE.
Rodolfo Sugeta, Superintendente Regional da Vanguard, destaca que “famílias menores não significam uma relação menor com a casa. Significam uma casa mais conectada à rotina. O imóvel precisa acompanhar trabalho, descanso, vida social, cuidado com pets, recebimento de compras e deslocamentos mais inteligentes”. Ele ressalta que a planta do imóvel deixa de ser apenas uma divisão de cômodos para organizar diferentes momentos do dia.
Áreas comuns que ampliam a funcionalidade
As áreas comuns dos condomínios também estão sendo repensadas para atender a essa nova realidade. Espaços antes dedicados exclusivamente ao lazer agora incorporam funções voltadas à produtividade e à praticidade, como coworkings, salas de reunião, lavanderias compartilhadas, lockers para encomendas e áreas pet. Assim, o condomínio funciona como uma extensão da moradia, apoiando a rotina de quem divide o tempo entre casa, trabalho remoto e serviços próximos.
Localização e mobilidade ganham destaque
O conceito da “cidade de 15 minutos”, em que as necessidades cotidianas podem ser atendidas em deslocamentos curtos, ganha força nesse contexto. Para casais sem filhos, jovens profissionais e investidores, atributos como caminhabilidade, mobilidade e oferta de comércio, lazer e serviços no entorno são tão importantes quanto a metragem do imóvel.
Essa tendência não se limita às grandes capitais. A FIPE acompanha transações imobiliárias em capitais e municípios selecionados, incluindo Londrina e Maringá, no Paraná, ampliando a compreensão do comportamento do mercado em cidades médias e regiões em expansão.
O crescimento dos casais sem filhos aponta para uma nova lógica de morar, menos dependente dos formatos familiares tradicionais e mais orientada por mobilidade, tecnologia, autonomia e uso inteligente dos espaços. Para incorporadoras e construtoras, compreender esse movimento é fundamental para desenvolver empreendimentos alinhados à vida urbana contemporânea.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



