Crise Rohingya agrava saúde de crianças em Bangladesh

Cortes na ajuda humanitária levam crianças aos hospitais em estado mais grave e ampliam o sofrimento psicológico nos acampamentos de Cox’s Bazar.

Nove anos após o êxodo sem precedentes da população Rohingya de Mianmar para Bangladesh, a crise humanitária em Cox’s Bazar apresenta desafios crescentes, especialmente para as crianças. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), as crianças estão chegando às unidades de saúde em estado mais crítico, com necessidades complexas tanto físicas quanto psicológicas.

No Hospital de Kutupalong, a maior unidade de saúde da MSF e principal centro de referência para os refugiados nos acampamentos, o perfil dos atendimentos mudou significativamente. O hospital, que antes tratava doenças rotineiras e sazonais, agora recebe crianças em condições graves, refletindo a redução das atividades nos postos de saúde devido a cortes no financiamento internacional.

Crianças em estado crítico e desafios no atendimento

Um exemplo é o caso de Halima Sadia, de um ano e meio, que sofre de desnutrição grave, febre e infecções persistentes, deixando-a fraca demais para se sentar ou ficar de pé. Sua mãe, Yasmida, de 25 anos, que fugiu de Mianmar em 2017 após uma perigosa jornada de 15 dias, relata que a filha já foi internada quatro vezes no hospital da MSF.

O vice-diretor do Hospital de Kutupalong, Dr. Md. Nadim Shahariyar, destaca que os pacientes pediátricos chegam em estado mais crítico e frequentemente com múltiplas doenças simultâneas, o que torna o manejo clínico mais complexo. Ele observa que os cortes na ajuda humanitária têm forçado as famílias a adiar a busca por atendimento médico, priorizando necessidades básicas como alimentação, o que agrava o quadro das crianças.

Impacto na saúde mental dos adolescentes

Além das questões físicas, a saúde mental dos adolescentes nos acampamentos também é motivo de preocupação. Estresse crônico, pobreza extrema, falta de oportunidades educacionais, conflitos familiares e superlotação dos abrigos têm contribuído para um aumento significativo do sofrimento emocional.

Entre 2023 e 2025, o Hospital de Kutupalong registrou 586 tentativas de suicídio, das quais 160 envolveram crianças e adolescentes menores de 18 anos, representando 27% do total. A MSF informa que 81% desses casos foram atribuídos diretamente à violência familiar, em um contexto marcado pela superlotação e pelo estresse constante da vida diária.

O número de crianças menores de 15 anos que buscaram apoio em saúde mental da MSF aumentou de 131 casos (9,7%) em 2021 para 232 casos (29,4%) em 2025, evidenciando a rápida escalada da crise.

Uma crise que exige soluções duradouras

Para a MSF, o aumento das doenças pediátricas e do sofrimento mental não são problemas isolados, mas refletem uma crise mais ampla de saúde pública. A redução do financiamento compromete a atenção primária, os programas de nutrição e as condições básicas de vida, sobrecarregando unidades de referência como o Hospital de Kutupalong.

A organização destaca que ações médicas emergenciais não substituem a responsabilidade política e que é fundamental manter uma resposta humanitária adequada e coordenada em Cox’s Bazar para garantir saúde, proteção e perspectivas para as famílias Rohingyas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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