Bruxismo diurno e enxaqueca crônica: estudo reforça avaliação integrada

Pesquisa brasileira apresentada em 2025 destaca alta prevalência de bruxismo diurno em pacientes com enxaqueca crônica

Pacientes com enxaqueca crônica que apresentam apertamento involuntário dos dentes durante o dia podem ter uma condição associada que merece atenção. Uma pesquisa inédita conduzida pelo Headache Center Brasil e apresentada em setembro de 2025 no 22º Congresso da Sociedade Internacional de Cefaleia revelou alta prevalência de bruxismo diurno em pessoas com enxaqueca crônica.

O estudo utilizou eletromiografia de superfície para analisar a musculatura facial e identificou que tanto o bruxismo quanto a enxaqueca compartilham o mesmo mecanismo neurológico: a hiperativação do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade e controle da musculatura do rosto.

Bruxismo em vigília: um sintoma pouco percebido

Embora o bruxismo seja frequentemente associado ao ranger ou apertar dos dentes durante o sono, o bruxismo diurno ocorre enquanto a pessoa está acordada, muitas vezes sem que ela perceba. Situações de concentração, estresse ou esforço podem levar ao apertamento involuntário da mandíbula.

A cirurgiã-dentista Andréa Melo, referência mundial em sono e qualidade de vida, destaca que o bruxismo não deve ser tratado isoladamente como um problema odontológico. Em muitos casos, ele funciona como um sintoma do quadro neurológico da enxaqueca, reforçando a necessidade de avaliação conjunta entre odontologia e neurologia.

Sinais que indicam a necessidade de avaliação integrada

Alguns sintomas podem sugerir a presença de bruxismo associado à enxaqueca e indicam a importância de uma avaliação multidisciplinar:

  • Desconforto ou dor na têmpora e no rosto que piora ao mastigar;
  • Sensação de dentes pressionados ou encostados durante o dia;
  • Dor de cabeça ao acordar, antes mesmo de sair da cama;
  • Desgaste dentário, fraturas ou sensibilidade nos dentes;
  • Enxaqueca que não melhora completamente com tratamento neurológico isolado.

Além disso, estudos brasileiros da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP-Araraquara) indicam que o bruxismo noturno está relacionado a dores de cabeça ao despertar e que mulheres com enxaqueca e disfunção temporomandibular respondem melhor quando ambas as condições são tratadas simultaneamente.

Tratamento multidisciplinar: parceria entre neurologia e odontologia

A especialista Andréa Melo ressalta que o bruxismo não causa todos os tipos de enxaqueca, nem a enxaqueca causa o bruxismo, mas ambos compartilham mecanismos neurológicos. Por isso, o tratamento deve ser multidisciplinar, com neurologistas e cirurgiões-dentistas atuando em conjunto para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Essa abordagem integrada evita diagnósticos incompletos e a persistência da dor, especialmente em casos de enxaqueca crônica que não respondem plenamente ao tratamento neurológico isolado. A avaliação da qualidade do sono e da atividade muscular relacionada ao bruxismo é fundamental para um cuidado eficaz.

Atuando no Instituto Andréa Melo, no Rio de Janeiro, e com mentoria em 27 países, a especialista integra sua experiência em reabilitação oral, bruxismo, sono e qualidade de vida a essa agenda de tratamento integrado, agora reforçada por evidências científicas recentes.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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