Publicidade médica nas redes: o que mudou para pacientes
Resolução do CFM ampliou a comunicação digital, mas médicos ainda precisam respeitar regras éticas ao divulgar serviços e resultados.
Antes de marcar uma consulta, muitas pacientes já pesquisam o médico no Google, nas redes sociais e em plataformas de vídeo. A presença digital pode ajudar a entender a área de atuação, conhecer a forma como o profissional comunica informações e avaliar se existe identificação com aquele atendimento. Mas a publicidade médica nas redes tem limites — e eles ficaram mais importantes com o aumento da exposição online.
A Resolução CFM nº 2.336/2023 atualizou as regras para a divulgação profissional de médicos e ampliou algumas possibilidades de comunicação digital. Entre as mudanças está a permissão para publicar imagens de “antes e depois” em contextos específicos, além de mais liberdade para produzir conteúdo informativo e usar plataformas como Instagram, YouTube, TikTok e LinkedIn.
Informação não é promessa de resultado
A abertura para mostrar mais do trabalho médico não significa autorização para transformar a rede social em uma vitrine de promessas. De acordo com o material, continuam proibidas práticas que caracterizem sensacionalismo, concorrência desleal, autopromoção exagerada ou expectativa irreal sobre tratamentos e procedimentos.
“Mesmo conteúdos que geram grande engajamento nas redes sociais podem representar risco quando criam expectativas irreais sobre tratamentos ou procedimentos médicos”, explica Tamara Guercio, CEO e fundadora da Guercio Marketing, empresa especializada em comunicação para o setor da saúde.
Para quem está em busca de atendimento, esse cuidado também é útil como critério de avaliação. Posts com resultados garantidos, linguagem milagrosa ou pressão para realizar um procedimento merecem atenção redobrada. Conteúdo educativo, transparente e responsável tende a oferecer uma visão mais realista sobre a relação entre médico e paciente.
CRM e especialidade precisam estar corretos
Outro ponto destacado é a divulgação da qualificação profissional. O médico só pode anunciar especialidades devidamente registradas e deve apresentar corretamente informações como CRM e RQE nos canais profissionais.
Esses dados ajudam a paciente a conferir quem está oferecendo determinado serviço e qual é a formação reconhecida para aquela área. Ainda assim, a presença online não substitui uma consulta, a avaliação individual nem a análise de riscos e benefícios de um tratamento.
Mais médicos, mais disputa por atenção
A Demografia Médica no Brasil 2025 aponta que o país chegou a 635.706 médicos, com média de 2,98 profissionais por mil habitantes. Em 2025, o número de médicos cresceu 6,4%, enquanto a população avançou 0,4%. Desde 2020, foram registrados 116,5 mil novos médicos.
Com a concorrência maior, redes sociais e reputação passaram a fazer parte da experiência antes mesmo do consultório. “O paciente atual busca informação antes de tomar decisões. O profissional que consegue educar, esclarecer dúvidas e gerar credibilidade por meio de conteúdo consistente tende a construir relacionamentos mais fortes e duradouros”, afirma Tamara.
Para as pacientes, a regra prática é simples: usar as redes como ponto de partida, não como única fonte de decisão. Visibilidade pode aproximar; credibilidade, informação clara e responsabilidade ajudam a construir confiança.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



