Licores quilombolas ganham identidade visual no Ceará

Coleção de Quiterianópolis usa mel de aroeira, frutas dos quintais e iconografia local para valorizar cultura e produção agroartesanal

Em Quiterianópolis, no Ceará, o licor artesanal está sendo pensado como muito mais do que uma bebida. Uma coleção criada com participação da Comunidade Quilombola Jardim vai reunir receitas feitas com mel de aroeira e frutas cultivadas nos quintais das famílias, além de embalagens inspiradas na iconografia local.

A proposta é transformar ingredientes e saberes já presentes no território em produtos com identidade própria, conectando cultura, design e oportunidades de geração de renda. O lançamento da coleção está previsto para outubro.

Receitas que nascem dos quintais

A oficina “Sabores do Quintal: Inovação em Licores Quilombolas” integra uma sequência de seis atividades realizadas pelo CRIA — Centro de Revitalização e Inovação Agroartesanal —, iniciativa ligada ao programa Território da Esperança, do Sebrae Ceará.

Durante o processo, moradores da Comunidade Quilombola Jardim trabalham no desenvolvimento de licores a partir do mel de aroeira, apontado como um produto característico da região, e de frutas cultivadas pelas famílias. A ideia também inclui aproveitar frutas que normalmente excedem o consumo doméstico, dando a elas uma nova possibilidade de uso e comercialização.

O trabalho não se limita à formulação das bebidas. Os participantes também discutem a identidade da coleção, incluindo o desenho das embalagens e a narrativa que acompanhará cada item. Assim, cada produto deverá carregar referências ao lugar onde foi criado.

Quando a embalagem também conta uma história

Elementos da iconografia de Quiterianópolis serão usados para traduzir visualmente a cultura do município. A escolha aproxima o produto de sua origem e reforça a relação entre território, memória e produção local.

“Esse trabalho parte daquilo que o território já possui. As oficinas não surgem como uma capacitação isolada, mas como resultado de um processo de escuta e construção coletiva que identifica oportunidades de inovação a partir da cultura local. Quando um produto chega ao mercado carregando a identidade do nosso território, ele agrega valor, fortalece o pertencimento e amplia as possibilidades de geração de renda para quem vive em nossa cidade”, afirma Leidaiana Loiola, chefe de gabinete da Prefeitura de Quiterianópolis.

Uma coleção agroartesanal em construção

A programação do CRIA no município também contempla oficinas sobre temperos do território, cosméticos feitos com mel e plantas, queijos autorais, uma linha fit com frutas do sertão e linguiças artesanais.

As atividades começaram neste mês e têm programação prevista até 10 de setembro. Segundo o material divulgado, a estratégia foi construída a partir de ações realizadas no último ano, como fortalecimento da governança comunitária, intercâmbio entre comunidades quilombolas e aproveitamento de ingredientes locais.

Em 2026, o projeto amplia essa atuação com uma coleção agroartesanal desenvolvida coletivamente e conectada à cultura de Quiterianópolis.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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