Meninas têm pouco contato com STEM antes dos 15 anos, revela pesquisa
Levantamento com 105 iniciativas brasileiras aponta que 95,7% dos impactos em STEM ocorrem a partir dos 15 anos
O contato de meninas com as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) ainda é limitado durante a infância e os primeiros anos escolares no Brasil. É o que revela a segunda edição do STEM Women Annual Report Brasil, que analisou 105 iniciativas distribuídas pelos 27 estados brasileiros e registrou 505.271 impactos ao longo de 2025. Desses, apenas 4,3% ocorreram entre crianças de 1 a 14 anos, enquanto 95,7% foram registrados a partir dos 15 anos.
Entre as crianças de 1 a 5 anos, foram contabilizados apenas 52 impactos, relatados por duas das 51 iniciativas classificadas como “Inspiração”, voltadas ao público mais jovem. Os maiores volumes nessa faixa etária aparecem entre crianças de 6 a 9 anos, com 8.205 impactos, e de 13 a 14 anos, com 7.218 impactos, ainda que esses números representem uma parcela pequena diante das ações destinadas a faixas etárias mais velhas.
Contato com STEM se intensifica após os 15 anos
A partir dos 15 anos, a quantidade de iniciativas e impactos cresce significativamente. As 76 organizações voltadas à Carreira Profissional registraram 483.698 impactos, com a maior concentração entre profissionais juniores. Na etapa de maturidade profissional, foram contabilizados 12.209 impactos, equivalentes a 2,5% do total dessas iniciativas.
O relatório também aponta obstáculos enfrentados pelas mulheres em STEM. A ausência de modelos femininos foi citada por 86,8% das iniciativas de Carreira Profissional como uma das principais barreiras. A falta de confiança, ou síndrome do impostor, aparece em 75% das respostas, enquanto o viés de gênero nas empresas foi mencionado por 71,1%.
“Se queremos ampliar a presença de mulheres no setor STEM no futuro, precisamos começar antes de elas chegarem ao momento de escolher uma profissão. É na infância que muitas percepções sobre capacidade, interesse e pertencimento começam a ser construídas”, afirma Mônica Granzo, CEO da Smarkets e embaixadora do STEM Women.
Distribuição geográfica e diversidade nas iniciativas
Embora haja organizações nos 27 estados, São Paulo concentra 80 das 105 iniciativas analisadas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 53, e Minas Gerais, com 51. Estados como Acre, Amapá e Roraima têm entre 12 e 13 iniciativas cada.
Os dados apresentados são “impactos reportados”, e não pessoas únicas, já que uma mesma participante pode ter participado de diferentes ações. O levantamento também mostra que minorias étnico-raciais são contempladas por 69,5% das organizações, pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica por 65,7%, pessoas com deficiência por 41,9% e povos indígenas por 17,1%.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



