Bioinsumos avançam, mas setor cobra regras mais claras

Fórum em São Paulo reuniu especialistas para discutir crescimento dos biodefensivos e segurança jurídica

Os bioinsumos ganham cada vez mais espaço na agricultura brasileira, mas o avanço do setor enfrenta um desafio crucial: a falta de segurança jurídica e regras claras. Esse foi o principal tema debatido no III Fórum Bioinsumos no Agro, realizado em 18 de agosto na sede da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), em São Paulo.

O evento reuniu lideranças da indústria, pesquisadores, produtores rurais e representantes do governo para discutir o potencial do país na área e alertar sobre os riscos que ameaçam o desenvolvimento do mercado de bioinsumos.

Crescimento acelerado dos biodefensivos

Segundo pesquisa apresentada pela Kynetec Brasil, os biodefensivos já são aplicados em mais de 107 milhões de hectares, o que corresponde a 6% do mercado total de defensivos agrícolas. A área tratada com esses produtos cresce a uma taxa superior a 30% ao ano, enquanto a expansão da área cultivada no país varia entre 3% e 4%.

Vitor Hugo Leite, coordenador da Kynetec Brasil, explicou que o aumento da pressão de pragas torna o tratamento indispensável, destacando que os produtos biológicos oferecem alta performance sem gerar resistência.

Regulamentação e soberania técnica

Especialistas ressaltaram que o Brasil possui conhecimento técnico avançado para desenvolver bioinsumos adaptados ao clima tropical, o que pode garantir maior autonomia do país no setor. No entanto, para atrair investimentos contínuos, é fundamental estabelecer uma regulamentação transparente e segura, que reduza incertezas para empresas, produtores e pesquisadores.

Transição para agricultura regenerativa

O fórum também abordou práticas de agricultura regenerativa, como o uso de remineralizadores e a integração lavoura-pecuária, que contribuem para sistemas produtivos mais resilientes e rentáveis. João Francisco Adrien, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, destacou que a migração para a agricultura biológica exige uma mudança profunda no sistema produtivo, não se limitando à substituição de insumos químicos por biológicos.

Integração entre ciência, mercado e políticas públicas

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de maior aproximação entre academia, indústria e produtores para aprimorar a eficácia das tecnologias sustentáveis. Também foram discutidas novas estruturas de crédito e financiamento voltadas à agricultura de conservação, além de incentivos à inovação no setor.

Especialistas lembraram que os bioinsumos constituem uma categoria distinta de agrotóxicos e fertilizantes, demandando regras específicas baseadas em ciência e segurança biológica.

Segurança jurídica como pilar para o futuro

O ex-ministro Roberto Rodrigues, convidado especial do fórum, alertou para os riscos institucionais e regulatórios que o agronegócio brasileiro enfrenta, ressaltando a urgência de soluções claras e transparentes. Segundo ele, a redução de riscos depende de regulamentação objetiva, que evite interpretações dúbias.

O debate evidenciou que o crescimento dos bioinsumos no Brasil depende não apenas de inovação tecnológica, mas também de um ambiente regulatório estável, formação técnica adequada, financiamento e políticas públicas alinhadas com as demandas do setor.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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