RPG na terapia: como jogos podem revelar padrões emocionais

Personagens, escolhas e consequências ajudam a observar comportamentos, mas não transformam toda partida em tratamento psicológico.

Uma aventura de RPG pode parecer apenas uma história inventada, mas as escolhas feitas durante o jogo também podem revelar como uma pessoa lida com incertezas, riscos e relações. É a partir dessa possibilidade que a psicologia passou a investigar como personagens, regras, desafios e consequências podem contribuir para intervenções clínicas.

O tema é apresentado em um artigo assinado por Manoel Acioli, psicólogo, mestre e doutor em Psicologia, pesquisador de modelos terapêuticos gamificados e diretor da RPG Terapia – Instituto de Psicologia Gamificada. O texto discute a Terapia de Imersão Imaginativa, proposta teórico-metodológica que utiliza experiências ficcionais estruturadas para tornar padrões psicológicos mais observáveis.

O que as escolhas no RPG podem mostrar?

Imagine um grupo que precisa atravessar uma floresta desconhecida. Enquanto uma pessoa prefere voltar, outra tenta reunir todas as informações antes de decidir. Há ainda quem assuma riscos sozinho ou permaneça em silêncio, mesmo percebendo que o plano pode dar errado.

Dentro do jogo, essas decisões pertencem aos personagens. Ainda assim, elas podem reproduzir formas reais de interpretar ameaças, responsabilidades e relações. Isso não significa, porém, que uma escolha isolada revele automaticamente a personalidade de alguém. Um personagem não é um teste psicológico, e cada comportamento pode ter diferentes explicações.

Mais do que pontos, fases e recompensas

Quando se fala em jogos aplicados à saúde, é comum pensar em gamificação: pontos, níveis, medalhas e barras de progresso. Esses recursos podem estimular o interesse, mas representam apenas uma parte do que acontece em um RPG.

Em uma experiência de interpretação de papéis, o jogador precisa compreender um mundo com regras, lidar com informações incompletas, antecipar consequências e escolher como agir. Depois, recebe uma resposta do ambiente ou dos outros personagens e precisa reorganizar sua estratégia.

Esse ciclo envolve atenção, imaginação, tomada de decisão, regulação emocional, aprendizagem e interação social. A ficção também pode criar uma distância segura para abordar temas difíceis. Em vez de falar diretamente sobre medo de fracassar, por exemplo, a pessoa pode observar que seu personagem abandona missões quando não tem certeza de que irá vencer.

Formato, engajamento e processo terapêutico

Um dos pontos centrais da proposta é separar três níveis que costumam ser misturados. O primeiro é o formato do RPG, com personagens, regras, cenários e campanhas. O segundo é o engajamento, ligado ao interesse e ao vínculo com a história. O terceiro é o processo terapêutico: aquilo que precisa mudar, como uma crença rígida, um padrão de esquiva ou uma dificuldade para regular emoções.

Essa distinção evita concluir que qualquer jogo seja uma terapia. A investigação busca entender em quais condições os elementos do RPG podem tornar processos psicológicos observáveis e aproximar a experiência imaginada de mudanças concretas no cotidiano, em diálogo com conhecimentos das terapias cognitivo-comportamentais.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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