Somália: metade das crianças deslocadas em Baidoa sofre de desnutrição

Pesquisa de Médicos Sem Fronteiras revela crise humanitária agravada pela seca e redução da ajuda internacional

Em Baidoa, no sudoeste da Somália, uma em cada duas crianças que vivem em locais de deslocamento sofre de desnutrição aguda, e uma em cada quatro apresenta desnutrição aguda grave. Esses dados alarmantes foram revelados por uma pesquisa realizada em julho de 2026 por Médicos Sem Fronteiras (MSF), que avaliou 888 domicílios em 14 locais de deslocamento.

A pesquisa também mostrou que um terço das famílias sobrevive com apenas uma refeição por dia, enquanto apenas 2% conseguem pagar três refeições diárias. A crise atinge de forma severa mulheres grávidas e mães que amamentam, com mais de 2.600 gestantes e lactantes admitidas para apoio nutricional nos últimos dois meses.

Impacto da seca e deslocamentos

Chuvas abaixo do esperado e o agravamento da seca prejudicaram plantações e rebanhos, afetando centenas de milhares de pessoas na Somália. Nos primeiros três meses de 2026, mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas internamente, sendo 90% desses deslocamentos causados pela seca, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Mulheres e crianças representam cerca de 85% dos deslocados.

Desde o início do ano, equipes apoiadas pela MSF avaliaram mais de 21 mil crianças menores de cinco anos em Baidoa, com admissões em unidades de tratamento da desnutrição mais que dobrando em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, 2.890 crianças foram internadas para tratamento hospitalar, um aumento de 78% em comparação ao ano anterior.

Doenças e desafios na vacinação

Além da desnutrição, doenças como sarampo e difteria têm se espalhado em comunidades onde as campanhas de vacinação não alcançam todos os moradores. MSF tratou cerca de 2.500 casos de sarampo em Baidoa desde o início do ano, superando os 1.700 casos registrados em todo o ano de 2025.

Resposta humanitária e apelo por mais recursos

Para atender à crescente demanda, MSF ampliou uma unidade médica de 50 para 150 leitos e distribui itens de assistência, além de fornecer água potável por caminhões-pipa em Baidoa e Mudug. No entanto, a organização alerta que cuidados médicos isolados não são suficientes para enfrentar a crise, que exige também acesso a alimentos, água limpa e serviços básicos.

O plano de resposta humanitária da Somália foi reduzido em 40% em 2026 e, até julho, recebeu menos de um terço do financiamento necessário. Grandes doadores, como os Estados Unidos e o Reino Unido, diminuíram significativamente seu apoio. MSF apela por uma resposta urgente, com ampliação de leitos, profissionais de saúde, medicamentos, alimentos terapêuticos e campanhas de vacinação eficazes para comunidades isoladas.

“O mundo não pode esperar por uma declaração oficial de fome antes de agir”, destaca Allara Ali, coordenadora do projeto de MSF na Somália, ressaltando a necessidade de ação imediata para evitar a perda de vidas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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