Reposição hormonal: quando ela é realmente indicada?
Terapia pode aliviar sintomas da menopausa, mas depende da história clínica, dos riscos e das necessidades de cada mulher.
Ondas de calor, insônia, ressecamento vaginal e queda da libido são sintomas comuns durante a transição para a menopausa, mas nem toda mulher precisa fazer reposição hormonal. Essa terapia é uma opção para casos específicos e deve ser definida após avaliação médica individualizada.
De acordo com a ginecologista Daniela Mazzafera, do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital (Ceparh), na Bahia, a reposição hormonal não deve ser encarada como uma solução universal, estética ou capaz de interromper o envelhecimento. “A terapia hormonal é uma ferramenta extremamente importante quando existe indicação clínica. O objetivo não é interromper o envelhecimento, mas tratar sintomas decorrentes da deficiência hormonal e melhorar a qualidade de vida da paciente, sempre considerando sua história clínica, fatores de risco e necessidades individuais.”
O que muda nos hormônios ao longo da vida
Os principais hormônios femininos — estrogênio, progesterona e testosterona — desempenham papéis essenciais no organismo, influenciando o ciclo menstrual, fertilidade, saúde óssea, metabolismo, humor, sono e desejo sexual.
Durante o climatério, que geralmente começa por volta dos 40 anos, a produção hormonal dos ovários diminui gradualmente. Os ciclos menstruais tornam-se irregulares, e a menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação. A queda do estrogênio pode causar ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, irritabilidade, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais e perda progressiva de massa óssea.
Quando a reposição hormonal pode ser considerada
A terapia hormonal é avaliada quando os sintomas associados à deficiência hormonal comprometem a qualidade de vida. Entre as situações indicadas estão:
- Ondas de calor intensas e suor noturno;
- Insônia e alterações de humor;
- Ressecamento vaginal e dor durante as relações;
- Redução significativa da libido;
- Menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura;
- Perda acelerada de massa óssea relacionada à deficiência estrogênica.
A idade isoladamente não determina a indicação do tratamento. O médico também considera o histórico pessoal e familiar, risco cardiovascular, possibilidade de trombose, antecedentes de câncer de mama ou endométrio, doenças hepáticas e outras condições clínicas.
Formas de tratamento disponíveis
A reposição sistêmica é indicada para sintomas gerais da menopausa e pode ser administrada por via oral, transdérmica (adesivos ou géis) ou por implantes, quando clinicamente indicado. A reposição local é usada principalmente para sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal e dor nas relações sexuais, utilizando baixas doses de estrogênio em cremes, comprimidos ou anéis vaginais.
Mulheres que retiraram o útero podem usar estrogênio isolado, quando indicado. Para aquelas que mantêm o útero, geralmente é necessário associar progesterona para proteger o endométrio. A escolha do esquema terapêutico é feita após avaliação médica individual.
Nem toda mulher precisa de reposição hormonal
Algumas mulheres atravessam o climatério com poucos sintomas e podem adotar medidas relacionadas ao estilo de vida, acompanhadas por profissionais de saúde. A terapia hormonal pode não ser recomendada em casos de determinados tipos de câncer sensíveis aos hormônios, histórico de trombose, doenças hepáticas graves ou sangramento uterino sem diagnóstico definido.
“A indicação da terapia hormonal é sempre individualizada. Não existe uma receita única”, reforça Daniela Mazzafera. Por isso, automedicação e uso de hormônios sem acompanhamento médico podem representar riscos à saúde. A decisão deve ser compartilhada entre médica e paciente, considerando benefícios, contraindicações e expectativas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



