Veterinários trocam o jaleco pela gestão de clínicas
Programa da +Pet reúne mais de 200 gestores e destaca a importância da liderança na medicina veterinária
Ser um bom veterinário continua sendo fundamental, mas, diante do crescimento do mercado pet e da entrada de redes estruturadas, a gestão eficiente de clínicas e hospitais veterinários tornou-se indispensável. Profissionais do setor precisam agora dominar áreas como fluxo de caixa, contratação, liderança, controle de estoque e planejamento estratégico.
É nesse contexto que o Programa Veterinário Empresário, promovido pela +Pet, tem se destacado. A iniciativa já reuniu mais de 200 proprietários e gestores de diferentes regiões do Brasil, oferecendo uma formação que vai além da prática clínica, focando na administração e expansão dos negócios veterinários.
Da clínica à gestão empresarial
O programa aborda temas essenciais como gestão financeira, indicadores de desempenho, desenvolvimento de equipes, liderança, processos, governança, expansão e novas fontes de receita. O conteúdo é adaptado conforme o estágio e porte de cada empresa, atendendo desde clínicas que ainda dependem fortemente dos fundadores até operações que planejam abrir novas unidades ou estruturar planos de saúde.
A origem do programa está ligada à experiência dos executivos João Marcos Rios e Alan Mora, que organizaram uma operação hospitalar veterinária que cresceu de 250 metros quadrados para 1,3 mil metros quadrados. Durante esse processo, outros empresários buscaram orientação sobre temas pouco abordados na formação tradicional, como financiamento, organização de estoques, contratos, serviços jurídicos e contábeis, além da gestão de equipes.
João Marcos Rios, executivo da +Pet e porta-voz do programa, explica: “As conversas começaram de maneira informal. As pessoas queriam entender como havíamos crescido, organizado a empresa e tomado decisões financeiras. Percebemos que existia uma demanda por conhecimento construído no dia a dia da operação, e não apenas por conteúdo teórico.”
Gestão adaptada à realidade de cada clínica
O programa não busca replicar a estrutura de grandes grupos em pequenos negócios, mas sim apresentar processos e práticas que possam ser aplicados proporcionalmente ao tamanho e à maturidade de cada operação.
“Uma clínica com 20 ou 50 funcionários não vai reproduzir a estrutura de um grupo maior. O trabalho é apresentar os processos, explicar por que foram criados e ajudar o empresário a aplicá-los na proporção adequada ao seu negócio”, destaca João.
Participantes do programa relataram resultados positivos, como aumento de faturamento, melhoria de margens e abertura de novas unidades. Em Campinas, por exemplo, um hospital veterinário quase dobrou sua receita em menos de um ano após revisar sua fachada, estrutura comercial e a forma de apresentar os serviços aos clientes.
Entretanto, João ressalta que os resultados dependem da execução das mudanças propostas: “Podemos mostrar os processos, analisar os números e apontar os gargalos, mas o empresário precisa executar. É necessário reorganizar a rotina, delegar responsabilidades, acompanhar os indicadores e tomar decisões que muitas vezes vinham sendo adiadas.”
Um mercado em transformação
Segundo dados da Abempet, o setor pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, um crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. Os serviços veterinários representaram cerca de R$ 7,7 bilhões desse total.
A +Pet projeta encerrar 2026 com 24 unidades em operação, mais de 50 mil vidas asseguradas e mais de 300 mil atendimentos anuais. A meta para 2030 é alcançar 300 mil vidas, com crescimento sustentado pela ampliação da rede, integração de serviços e avanço do plano de saúde.
João Marcos Rios observa que a medicina veterinária está passando por um processo de consolidação semelhante ao que ocorreu em outros segmentos, como farmácias e pet shops. “A consolidação já começou e deve ganhar velocidade nos próximos anos. O profissional autônomo continuará tendo espaço, principalmente nas especialidades, mas quem quiser construir uma empresa precisará investir em gestão, liderança e organização. O mercado será muito diferente até 2030.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



