Liderança na imprensa: credibilidade vale mais que propaganda
Executivos precisam substituir respostas decoradas por clareza e responsabilidade em entrevistas
Falar com a imprensa deixou de ser apenas uma oportunidade de visibilidade para executivos. Hoje, cada entrevista funciona também como um teste público de coerência: o que está sendo dito combina com as atitudes da empresa, com o momento e com a realidade de clientes e colaboradores?
Essa reflexão é destacada pela jornalista Francine Ferreira, especialista em Comunicação Empresarial e diretora e fundadora da Expressio Comunicação Humanizada. Para ela, a liderança que se comunica bem não é aquela que tenta controlar cada frase, mas a que entende o peso da própria fala.
Da propaganda à informação relevante
Durante muito tempo, entrevistas foram tratadas como aparições institucionais. O executivo respondia às perguntas, repetia mensagens da empresa e encerrava a participação. Esse formato, porém, pode soar artificial — especialmente quando toda resposta parece propaganda.
A alternativa é ocupar o lugar de fonte, não de personagem. Isso significa ajudar o público a entender um tema, explicar o impacto de uma decisão e apresentar dados confiáveis, em vez de apenas promover a própria organização.
Segundo o artigo, a autoridade nasce menos da autopromoção e mais da capacidade de traduzir assuntos complexos. Uma liderança pode ter cargo, experiência e boa oratória, mas perde força quando não consegue mostrar por que determinada questão importa para a sociedade.
Por que a coerência se tornou indispensável
O ambiente informativo está mais rápido, fragmentado e desconfiado. O material cita dados do Digital News Report 2026, do Reuters Institute: a confiança geral nas notícias no Brasil caiu para 36%, enquanto 47% dos brasileiros afirmam evitar notícias às vezes ou com frequência. O levantamento também aponta que as redes sociais mantêm vantagem sobre a televisão como fonte semanal de informação.
Com isso, uma declaração não fica restrita ao veículo que publicou a entrevista. Ela pode ser recortada, comentada e reinterpretada em diferentes plataformas. Uma fala desalinhada com a prática da empresa pode gerar questionamentos entre funcionários, clientes e o público em geral.
O que uma liderança precisa preparar antes de falar
Preparar um porta-voz não é ensiná-lo a parecer seguro. É organizar raciocínio, informações, limites e temas sensíveis para que ele consiga sustentar o que diz. Também envolve reconhecer quando um assunto ainda está em apuração, sem preencher lacunas com respostas improvisadas.
“Precisa ter clareza, dominar os fatos e respeitar o papel do jornalista”, resume Francine no artigo. A fala reforça uma habilidade cada vez mais valorizada: comunicar assuntos importantes de maneira compreensível, sem excesso de termos técnicos ou respostas decoradas.
No fim, a boa presença pública não depende de parecer perfeita. Ela se constrói quando discurso, prática e responsabilidade caminham juntos — uma postura que fortalece a confiança muito depois de a entrevista terminar.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



