Dívidas: quando as emoções pesam mais que o orçamento
Psicólogo relaciona endividamento a ansiedade, autoestima e impulsos de consumo; Peic aponta que 81,6% das famílias têm dívidas
O endividamento financeiro no Brasil é frequentemente atribuído à perda de renda, desemprego ou falta de educação financeira. Contudo, especialistas destacam que as emoções, crenças e padrões cognitivos desempenham papel fundamental na forma como as pessoas lidam com o dinheiro.
Essa perspectiva tem ganhado espaço na psicologia econômica e na terapia financeira, que integra conhecimentos da psicologia para entender comportamentos relacionados ao consumo, planejamento e dívidas. O tema é especialmente relevante diante do cenário atual: conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em junho pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida.
O papel das emoções nas decisões financeiras
Segundo o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, as dívidas prolongadas refletem uma complexa interação entre fatores cognitivos e emocionais. O dinheiro transcende sua função econômica, carregando significados afetivos construídos ao longo da vida.
Experiências familiares, medo da instabilidade, busca por status e autoestima influenciam escolhas financeiras que, à primeira vista, parecem racionais. Além disso, a exposição constante a estilos de vida nas redes sociais pode reforçar esses comportamentos.
“Quando a pessoa entende quais emoções estão dirigindo suas decisões financeiras, ela deixa de reagir automaticamente aos impulsos e passa a fazer escolhas mais conscientes. Em meus atendimentos, identifiquei sete padrões recorrentes associados ao endividamento financeiro: desregulação emocional, déficit de alfabetização financeira, antecipação de sonhos por meio de financiamentos e dívidas, uso do dinheiro como instrumento de autoafirmação, orgulho e resistência em reconhecer dificuldades financeiras, tomada de decisões baseada predominantemente nas emoções, e ausência de planejamento financeiro de médio e longo prazo. A atuação simultânea desses elementos pode dar origem a um ciclo repetitivo de ações que dificultam a recuperação financeira”, explica Neto Zago.
Gatilhos emocionais e consumo impulsivo
Emoções como ansiedade, tristeza, estresse e solidão podem desencadear decisões financeiras impulsivas. Muitas vezes, o consumo funciona como uma tentativa temporária de aliviar desconfortos emocionais ou buscar validação social.
Porém, essa satisfação é passageira quando o consumo tenta suprir necessidades emocionais. Sem compreender a origem desse comportamento, o ciclo tende a se repetir, comprometendo a saúde financeira e emocional do indivíduo.
Educação financeira aliada ao autoconhecimento
O psicólogo ressalta que a educação financeira é essencial, mas deve caminhar junto com o autoconhecimento e o desenvolvimento da inteligência emocional. Identificar os gatilhos que influenciam as decisões e desenvolver estratégias para lidar com as emoções são passos importantes para uma relação equilibrada com o dinheiro.
Assim, falar sobre finanças é também discutir comportamento humano, tornando as decisões menos automáticas e mais conscientes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



