Sono ao volante: sinais de alerta e como evitar riscos
Estudo aponta que a sonolência pode estar ligada a até 20% dos acidentes e alerta para os perigos de dirigir na madrugada.
Dirigir com sono não é apenas desconfortável: pode comprometer a percepção, a tomada de decisão e o tempo de resposta. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Medical and Biological Research indica que a sonolência pode estar relacionada a até 20% dos acidentes de trânsito no Brasil.
A pesquisa analisou dados consolidados de circulação nas rodovias brasileiras entre 2015 e 2017. Segundo o levantamento, a probabilidade de acidentes entre 2h e 4h da manhã pode ser até 3,5 vezes maior do que no período diurno, faixa em que o organismo tende a enfrentar uma queda natural no estado de alerta.
Por que a madrugada exige mais atenção?
Durante a noite, especialmente nas primeiras horas da manhã, o cansaço pode afetar funções essenciais para uma condução segura. Mesmo quando a pessoa acredita estar bem, a fadiga pode tornar as respostas mais lentas e dificultar a identificação de situações inesperadas na estrada.
Outro fenômeno associado às viagens longas é a chamada hipnose rodoviária. Diferentemente do sono propriamente dito, ela acontece quando o motorista continua acordado, mas passa a processar menos estímulos por causa da monotonia do trajeto.
Nessa situação, o cérebro entra em uma espécie de “piloto automático”. A pessoa permanece dirigindo, mas pode reagir mais devagar a mudanças no trânsito, curvas, obstáculos ou outros veículos.
Sinais de que é hora de parar
Alguns sintomas indicam que o corpo já não está conseguindo sustentar a atenção necessária ao volante. Entre os principais sinais estão:
- bocejos frequentes;
- dificuldade para manter o foco;
- piscadas prolongadas;
- lapsos de memória sobre os últimos quilômetros percorridos;
- sensação de estar dirigindo no automático.
Ao notar qualquer um desses sinais, a orientação defendida pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) é interromper a condução e buscar recuperação. A entidade representa mais de 5 mil trabalhadores especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país.
Descanso também faz parte da segurança
Para o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, a perda gradual da atenção pode passar despercebida. “O maior perigo é quando o motorista acredita que está no controle, mas o organismo já começou a funcionar no piloto automático”, afirmou.
O planejamento da viagem, segundo a entidade, deve incluir sono adequado, pausas programadas e respeito aos limites do organismo — medidas tão importantes quanto a revisão do veículo.
Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, reforça que não basta apenas interromper a jornada: é necessário aproveitar o intervalo para um descanso de qualidade. “O sono de qualidade faz parte do bom desempenho profissional e deve ser tratado como um componente essencial da prevenção de acidentes.”
Em trajetos longos, insistir em dirigir apesar do cansaço não significa ganhar tempo. Reconhecer os sinais do corpo e parar antes que a sonolência se agrave é uma atitude de cuidado com a própria vida e com todas as pessoas na estrada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



