Quase 70% das crianças até 5 anos consomem ultraprocessados diariamente
Debate sobre PL 4.501/2020 destaca impacto dos ultraprocessados na saúde infantil e escolar
Quase 70% das crianças brasileiras de até 5 anos consomem alimentos ultraprocessados várias vezes ao dia, segundo dados apresentados em debate sobre o Projeto de Lei (PL) 4.501/2020. A proposta visa proibir a venda desses produtos em cantinas de escolas públicas e privadas, colocando a alimentação escolar no centro da discussão sobre saúde infantil.
O ambiente escolar é estratégico na formação de hábitos alimentares desde a primeira infância. Entre 2014 e 2024, o excesso de peso entre crianças de 5 a 9 anos aumentou de 27,7% para 29,8%, enquanto a obesidade subiu de 12,5% para 14,6%.
Excesso de peso cresce entre adolescentes
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o avanço foi ainda mais expressivo: o excesso de peso passou de 23% para quase 32%, e os casos de obesidade mais que dobraram, saltando de 6,5% para 13%.
O consumo frequente de ultraprocessados está associado a um risco 71% maior de cárie, prejuízos no desenvolvimento cognitivo e ao aumento dos casos de sobrepeso e obesidade. Esses alimentos, ricos em açúcar, gordura e sódio, são comuns na rotina por sua praticidade e ampla disponibilidade.
Proposta de restrição nas escolas
O PL 4.501/2020 propõe a proibição da venda de ultraprocessados em cantinas escolares públicas e privadas. Representantes da indústria de alimentos manifestaram preocupação, argumentando que opções mais saudáveis podem ter custo maior e defendendo que políticas públicas priorizem a conscientização do consumidor em vez de proibições.
Influência do ambiente escolar nas escolhas alimentares
Para a nutricionista Andressa Meira, a redução do consumo de ultraprocessados nas escolas é uma importante estratégia de saúde pública. Ela destaca que a infância é o período em que os hábitos alimentares são formados e que a exposição precoce a alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio aumenta a probabilidade de manutenção desses padrões na vida adulta, elevando o risco de doenças crônicas.
Meira ressalta que a repetição é fundamental para a construção de hábitos: quando alimentos saudáveis são apresentados de forma atrativa e incorporados à rotina, a adaptação ocorre naturalmente. Além disso, crianças expostas diariamente a alimentos saudáveis tendem a ampliar a aceitação desses alimentos e a reproduzir esse comportamento em casa.
Ela reconhece, porém, que desafios como logística, conservação, distribuição, custo e padronização da qualidade dificultam a oferta de alimentos naturais em larga escala nas escolas. Por isso, o planejamento é essencial para viabilizar escolhas alimentares mais nutritivas no ambiente escolar.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



