TDAH em mulheres: sinais que vão além da distração
Desatenção, procrastinação e dificuldade de organização podem indicar TDAH; diagnóstico clínico orienta tratamento individualizado
Esquecer compromissos, perder objetos, adiar tarefas e ter dificuldade para concluir atividades não significa necessariamente falta de esforço. Quando esses comportamentos são persistentes, começam na infância e provocam prejuízos na vida profissional, acadêmica ou social, podem estar relacionados ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Para muitas mulheres, o reconhecimento pode demorar. Isso acontece porque os sinais nem sempre aparecem como hiperatividade ou comportamento impulsivo. Segundo o médico e professor de pós-graduação em Psiquiatria Rodrigo Eustáquio, meninas apresentam com maior frequência a forma predominantemente desatenta, enquanto os meninos têm mais frequentemente a apresentação combinada.
Como o TDAH pode aparecer na rotina
A desatenção é apenas uma parte do transtorno. As dificuldades também podem envolver as chamadas funções executivas, habilidades usadas para planejar, organizar, iniciar, monitorar e finalizar tarefas.
Na prática, isso pode se manifestar como:
- dificuldade para administrar o tempo e cumprir prazos;
- perda frequente de objetos ou esquecimento de compromissos;
- procrastinação, mesmo diante de tarefas importantes;
- problemas para estabelecer prioridades e concluir projetos;
- impulsividade e dificuldade para lidar com frustrações.
Também é possível ocorrer o hiperfoco: períodos de concentração intensa em atividades muito interessantes, acompanhados de grande dificuldade para começar ou manter tarefas consideradas pouco estimulantes. A percepção do tempo pode ser outro desafio.
Por que o diagnóstico pode acontecer só na vida adulta?
Algumas pessoas desenvolvem estratégias para compensar as dificuldades durante a infância. Com o aumento das responsabilidades acadêmicas, profissionais e familiares, porém, essas estratégias podem deixar de ser suficientes.
A professora de Psicologia Mariana Ramos explica que o TDAH tem bases neurobiológicas e não deve ser confundido com preguiça ou falta de disciplina. “Não se trata de falta de disciplina ou de interesse. O TDAH é uma condição neurobiológica que interfere na forma como o cérebro organiza e executa comportamentos direcionados a objetivos”, afirma.
O histórico de críticas — como ouvir que a pessoa é inteligente, mas não se esforça — pode afetar a autoestima e favorecer sofrimento emocional, ansiedade e depressão. Por isso, identificar a origem das dificuldades pode ser importante para interromper esse ciclo de culpa.
Como é feita a avaliação e quais são os tratamentos?
O diagnóstico do TDAH é clínico. Não há exame de sangue ou imagem capaz de confirmar o transtorno. A investigação considera o desenvolvimento desde a infância, o funcionamento atual e os impactos dos sintomas no cotidiano. Ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dificuldades de aprendizagem também precisam ser avaliados.
O tratamento é personalizado e pode envolver medicamentos, quando indicados por médico, psicoterapia — especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental —, reabilitação neuropsicológica, orientação familiar e adaptações no trabalho ou nos estudos.
Rotinas estruturadas, redução de estímulos distratores e ferramentas de organização podem ajudar, mas não substituem a avaliação profissional. Nem toda dificuldade de atenção significa TDAH. Diante de sintomas persistentes e prejuízos na rotina, a recomendação é buscar profissionais qualificados.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



