Queimadas e desmatamento: o que os dados revelam em 2026
No Dia Mundial da Conservação da Natureza, números de incêndios, desmatamento e fiscalização mostram os desafios ambientais de 2026.
O Dia Mundial da Conservação da Natureza, celebrado em 28 de julho, chega em 2026 com um alerta global: incêndios consumiram mais de 150 milhões de hectares de vegetação entre janeiro e abril, segundo dados do Observatório do Clima. Essa área equivale à extensão territorial do estado do Amazonas.
O número representa um aumento de aproximadamente 50% em relação à média registrada entre 2012 e 2025 e corresponde ao dobro da área atingida no mesmo período de 2024, ano que registrou a maior temperatura média global já registrada.
No Brasil, o balanço consolidado de 2025 mostrou avanços na fiscalização ambiental, com a área total de vegetação nativa desmatada ficando abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019. O Ibama lavrou 6.451 autos de infração, aplicou R$ 2,7 bilhões em multas e embargou mais de 510 mil hectares de áreas com irregularidades ambientais.
Responsabilidade tríplice na legislação ambiental brasileira
O advogado e professor de Direito da Afya Sete Lagoas, Fabricio Veiga Costa, explica que no Brasil vigora o princípio da responsabilidade tríplice em matéria ambiental, o que significa que um mesmo ato de poluição ou degradação pode gerar consequências simultâneas nas esferas civil, administrativa e penal.
Na esfera civil, há a obrigação de reparar o dano ambiental ou indenizar a sociedade, sendo a responsabilidade objetiva, ou seja, independentemente de intenção ou culpa. Na esfera administrativa, os órgãos ambientais podem aplicar multas, suspender atividades, cassar licenças e impedir o acesso a incentivos fiscais. Já na esfera penal, pessoas físicas podem responder por crimes ambientais com penas de prisão ou detenção, enquanto as empresas podem sofrer sanções restritivas de direitos previstas em lei.
Contrastes ambientais em Minas Gerais
Em Minas Gerais, os dados de 2026 mostram um aumento preocupante no desmatamento do Cerrado, que cresceu cerca de 92% em sete meses, conforme o sistema de detecção em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre agosto de 2025 e março de 2026, foram registrados 342 km² de perda de vegetação nativa, área superior à do município de Belo Horizonte.
O biólogo e professor da Afya Contagem, André Luiz Zaidan, destaca que o Cerrado é um bioma de altíssima biodiversidade e funciona como uma espécie de “caixa d’água natural”, pois suas plantas possuem sistemas radiculares profundos que favorecem a infiltração da água no solo e a recarga dos aquíferos. A remoção da vegetação nativa provoca menor infiltração da água, aumento do escoamento superficial, intensificação da erosão, assoreamento dos rios e redução da disponibilidade hídrica ao longo do ano, comprometendo nascentes, abastecimento humano, agricultura e equilíbrio climático regional.
Por outro lado, a Mata Atlântica em Minas Gerais apresentou uma redução de 3,4% na perda de cobertura vegetal em 2025. Desde 2022, início da série histórica do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), a redução acumulada alcançou cerca de 42%. As ações de fiscalização do governo estadual somaram 8.813 operações em 2025, com aplicação de R$ 233,1 milhões em multas, das quais R$ 129,2 milhões foram na Mata Atlântica.
Reflorestamento e restauração ecológica
Minas Gerais superou a meta de plantio de 7 milhões de mudas nativas prevista para dezembro de 2026, alcançando mais de 7,7 milhões de mudas plantadas em 374 municípios, segundo dados do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IDE-Sisema).
André Luiz Zaidan ressalta que reflorestar não significa apenas plantar árvores. Para que a restauração seja ecologicamente efetiva, é necessário planejamento, monitoramento e escolha adequada das espécies, priorizando o uso de espécies nativas e variadas, além de áreas estratégicas como nascentes, margens de rios e corredores ecológicos. Também é fundamental o acompanhamento da sobrevivência das mudas, manutenção, controle de espécies invasoras, proteção contra incêndios e monitoramento contínuo. O sucesso do reflorestamento deve ser medido pela recuperação das funções ecológicas e da capacidade do ecossistema, não apenas pela quantidade de árvores plantadas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



