Rota do Atlântico: mais de 150 mortos ou desaparecidos em tragédia migratória
Após 25 dias no mar, apenas 38 de cerca de 190 pessoas sobreviveram à travessia entre a Gâmbia e as Ilhas Canárias
Uma das travessias mais trágicas na rota migratória do Atlântico resultou em mais de 150 mortos ou desaparecidos, conforme relatos iniciais dos sobreviventes. A embarcação, que teria partido da Gâmbia com destino às Ilhas Canárias, chegou a Nouadhibou, na Mauritânia, após 25 dias no mar. Das aproximadamente 190 pessoas a bordo, apenas 38 sobreviveram.
Os sobreviventes receberam os primeiros cuidados de pescadores e da guarda costeira mauritana, antes de serem encaminhados ao Crescente Vermelho da Mauritânia, que solicitou o apoio de Médicos Sem Fronteiras (MSF). A organização classificou o episódio como um dos mais mortais presenciados por suas equipes no país desde o início de 2026.
Sobreviventes em estado crítico
Segundo a MSF, os resgatados apresentavam sinais de sofrimento psicológico intenso, incluindo choque pós-traumático e psicose, além de fraturas, lesões traumáticas e hipotermia, resultado da exaustão após semanas no mar. Muitos perderam familiares e outros passageiros durante a travessia.
Uma das sobreviventes relatou ter presenciado a morte da própria irmã durante a viagem. A coordenadora do programa de migrações da MSF, Fouzia Bara, destacou o impacto do ocorrido: “O que as nossas equipes viram em Nouadhibou é profundamente chocante. As pessoas chegaram após passarem semanas no mar, exaustas, traumatizadas e de luto pela perda de familiares e de outros passageiros que não sobreviveram à travessia. Ninguém deveria ter de suportar tal sofrimento enquanto busca segurança ou dignidade.”
Assistência a centenas de migrantes
Nas últimas semanas, as equipes da MSF auxiliaram três operações de desembarque em Nouadhibou, nos dias 14 e 18 de julho, prestando assistência a um total de 387 pessoas. Foram realizadas 66 consultas médicas e nove pacientes foram encaminhados para unidades de saúde especializadas.
Somente no dia 18 de julho, dois desembarques ocorreram entre a meia-noite e as 19h, um deles logo após o incidente envolvendo a embarcação da Gâmbia.
Rota marcada por riscos extremos
A rota atlântica entre a África Ocidental e as Ilhas Canárias é considerada uma das mais perigosas do mundo. De acordo com a ONG espanhola Caminando Fronteras, mais de 10 mil pessoas foram dadas como mortas ou desaparecidas durante a travessia em 2024, e mais de 3 mil em 2025. O número real pode ser ainda maior, já que nem todas as viagens são registradas ou recebem operações de resgate.
Embora as chegadas às Ilhas Canárias tenham diminuído 61% em comparação a 2025, os riscos permanecem elevados. Segundo o ACNUR, foram registradas 4.400 chegadas até 15 de julho de 2026, com muitos migrantes partindo de locais a mais de 2.000 quilômetros do destino.
A MSF reforça a necessidade de fortalecer os mecanismos de busca e salvamento, além de criar vias seguras e legais para reduzir os riscos dessas travessias. “As mortes desses homens, mulheres e crianças não podem ser esquecidas”, conclui Fouzia Bara.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



