Estudante da Unesp cria utensílios para cozinhas hospitalares

Protótipos criados por Maisa da Silva Julio buscam tornar as dietas hospitalares mais precisas e reduzir o desperdício de alimentos.

Uma dificuldade aparentemente simples — servir a mesma quantidade de comida em cada prato — pode ter impacto direto na rotina de uma cozinha hospitalar. Foi para enfrentar esse desafio que Maisa da Silva Julio, egressa do curso de Design da Unesp, desenvolveu protótipos de escumadeiras, conchas e colheres pensados especificamente para o porcionamento das refeições de pacientes.

O projeto de iniciação científica recebeu o 23º Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na categoria Bolsista de Iniciação Tecnológica da área de Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes.

Por que os utensílios fazem diferença?

A pesquisa surgiu a partir de uma demanda do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Na rotina da cozinha hospitalar, os utensílios disponíveis não haviam sido projetados para padronizar as porções. Com isso, a quantidade de alimentos podia variar entre os pratos.

Além de dificultar o controle das dietas indicadas aos pacientes, a falta de padronização também interferia no planejamento da produção e favorecia o desperdício de comida. A demanda foi levada ao Centro Avançado de Desenvolvimento de Produtos da Unesp, em Bauru, coordenado pelo professor Fausto Orsi Medola, orientador do trabalho.

Da observação à impressão 3D

Uma visita técnica ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto ajudou a equipe a entender como os profissionais realizavam o porcionamento e quais eram as necessidades da rotina. “Nós acompanhamos o trabalho dos funcionários que servem a alimentação dos pacientes, conversamos com a nutricionista responsável e observamos os utensílios que eram utilizados”, afirma Maisa.

A investigação também incluiu revisão bibliográfica e levantamento de referências sobre ergonomia e produtos semelhantes. Paralelamente, pesquisadores da USP fizeram medições e pesagens dos alimentos preparados para definir o volume que cada novo utensílio deveria comportar.

Com essas informações, os protótipos foram produzidos por impressão 3D e enviados ao hospital para testes controlados. O processo mostra como o design pode atuar além da estética, aproximando pesquisa, tecnologia e necessidades concretas da área da saúde.

Pesquisa continua após a graduação

Os testes abriram uma nova etapa do projeto, iniciada depois da conclusão da graduação de Maisa. Agora, a pesquisa investiga quais materiais podem ser usados na fabricação dos utensílios, considerando as exigências de higiene e segurança de cozinhas hospitalares.

A expectativa é que, após essa fase, os protótipos avancem para uma versão definitiva, apta para uso na rotina do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Para Fausto Medola, a iniciativa reforça a capacidade do design de reunir conhecimentos de diferentes áreas e transformá-los em soluções aplicadas ao cuidado com pacientes.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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