TDAH: sinais, diagnóstico precoce e tratamento

Conscientização sobre o transtorno destaca sinais que vão além da distração e reforça a importância de avaliação clínica e tratamento individualizado.

No Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, celebrado em 13 de julho, especialistas destacam que o TDAH vai muito além da simples distração ou falta de foco. Quando os sintomas são persistentes, iniciam na infância e causam prejuízos na vida escolar, profissional ou social, é fundamental buscar avaliação adequada.

Sinais que podem passar despercebidos

Comportamentos como esquecer compromissos, perder objetos com frequência, adiar tarefas importantes e dificuldade para manter a atenção são comuns no dia a dia. No entanto, no TDAH, esses sinais são persistentes e acompanham prejuízos concretos na rotina.

A Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que o TDAH tem bases neurobiológicas e está relacionado ao funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pela atenção, controle dos impulsos e funções executivas, que envolvem planejamento, organização e conclusão de tarefas. “Não se trata de falta de disciplina ou interesse. O TDAH é uma condição neurobiológica que interfere na forma como o cérebro organiza e executa comportamentos direcionados a objetivos”, afirma.

Diagnóstico pode surgir tardiamente

Embora os sintomas geralmente apareçam antes dos 12 anos, muitas pessoas só recebem o diagnóstico na adolescência ou na vida adulta. Segundo o Dr. Rodrigo Eustáquio, médico e professor de pós-graduação em Psiquiatria na Afya Vitória, isso ocorre porque alguns indivíduos desenvolvem estratégias para compensar suas dificuldades na infância. O diagnóstico costuma ocorrer quando aumentam as responsabilidades acadêmicas, profissionais ou familiares.

“O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico. Não existe exame de sangue, ressonância magnética ou outro exame que confirme o transtorno”, destaca. A avaliação inclui entrevista detalhada, análise do histórico de desenvolvimento, desempenho escolar e profissional, além do impacto dos sintomas na vida cotidiana. É importante também excluir outras condições com sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dificuldades específicas de aprendizagem.

Variedade de manifestações

O TDAH pode se apresentar de diferentes formas: predominância da desatenção, hiperatividade e impulsividade, ou uma combinação de ambos. O Dr. Rodrigo observa que meninas tendem a apresentar mais o subtipo desatento, enquanto meninos apresentam com maior frequência a forma combinada. Na vida adulta, a hiperatividade pode diminuir, mas as dificuldades de atenção e organização geralmente persistem.

Além da dificuldade de concentração, o transtorno afeta funções executivas como planejamento, administração do tempo, controle de impulsos, capacidade de lidar com frustrações e finalização de projetos. Algumas pessoas também apresentam hiperfoco, estado de intensa concentração em atividades de interesse, enquanto enfrentam dificuldades com tarefas menos estimulantes.

Tratamento personalizado

Não existe um tratamento único para o TDAH. A abordagem depende da idade, intensidade dos sintomas, grau de prejuízo funcional e presença de outras condições associadas.

O tratamento pode incluir medicamentos, psicoterapia — especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) —, reabilitação neuropsicológica, orientação familiar e adaptações no ambiente escolar ou profissional. Estratégias práticas, como redução de estímulos, criação de rotinas estruturadas e desenvolvimento de habilidades de organização, também são recomendadas.

“O objetivo do tratamento não é apenas reduzir os sintomas, mas melhorar a qualidade de vida, favorecer a autonomia e permitir que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial”, conclui o Dr. Rodrigo.

Diante de sinais persistentes e prejuízos na rotina, é fundamental buscar avaliação com profissionais qualificados. Nem toda dificuldade de atenção significa TDAH, mas o diagnóstico correto é essencial para um tratamento eficaz e melhoria da qualidade de vida.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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