A geração que vai construir o Brasil é a mais infeliz, aponta pesquisa

Estudo com jovens de 16 a 24 anos revela menor satisfação com a vida, mais sofrimento no trabalho e forte impacto das redes sociais sobre o bem-estar

A geração que vai construir o Brasil é a mais infeliz, o que isso revela sobre o futuro do país? Pesquisa mostra que jovens entre 16 e 24 anos, geração que vai definir os próximos rumos do país, relata menor satisfação com a vida, menos apoio social, maior infelicidade no trabalho e forte impacto das redes sociais sobre o bem-estar

São Paulo, julho de 2026 – O Brasil costuma olhar para os jovens como a geração que vai transformar o futuro. Mas e quando são justamente eles que demonstram estar mais infelizes? Dados do “Mapa da Felicidade Real dos Brasileiros”, pesquisa conduzida pela pesquisadora em Ciência da Felicidade, Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia, revelam que jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentam os piores indicadores de bem-estar quando comparados às demais faixas etárias. Esse público é menos satisfeito com a própria vida e relata ter menos pessoas com quem contar, demonstrando também uma relação significativamente mais negativa com o trabalho. Ao mesmo tempo, são também os que mais sofrem com a comparação social nas redes sociais.

O cenário chama atenção porque desafia uma ideia frequentemente associada à juventude: a de que essa seria a fase de maior entusiasmo e possibilidades. Na prática, os dados mostram uma geração que olha para o presente com mais sofrimento do que pessoas muito mais velhas.

“A juventude deveria representar energia, construção de projetos e descoberta de possibilidades. Quando justamente esse grupo relata níveis menores de satisfação com a vida, menos apoio e maior sofrimento cotidiano, estamos diante de um sinal importante sobre a forma como nossa sociedade está funcionando”, afirma Renata Rivetti.

Entre os principais resultados da pesquisa estão: apenas 33% dos jovens dizem estar muito satisfeitos com a vida, contra média de 47,9% entre pessoas acima de 25 anos; somente 32,5% afirmam estar satisfeitos com a vida que levam, enquanto entre as demais faixas etárias esse índice chega a 50,5%; 79% dizem ter pessoas com quem contar, percentual inferior aos 88,5% observados entre adultos mais velhos; 81% se consideram felizes, contra 90,8% nas demais idades. 27% se sentem preocupados frequentemente, contra 18% entre os mais velhos;

Na avaliação de Renata Rivetti, esse é um debate que ultrapassa a esfera individual. “Esses jovens serão os profissionais, líderes, empreendedores, pais, mães e cidadãos que vão construir o Brasil nas próximas décadas. Muitos deles já participam das decisões políticas do país por meio do voto. Quando uma geração inteira relata menos felicidade, menos conexão humana e mais sofrimento no trabalho, a discussão deixa de ser apenas sobre saúde mental. Passa a ser sobre desenvolvimento social, econômico e sobre o futuro que estamos construindo.”

Trabalho: fonte de infelicidade

Um dos dados mais contundentes da pesquisa está na relação dos jovens com a vida profissional. Quase metade (46,7%) afirma que o trabalho os deixa mais infelizes, percentual mais que o dobro da média das demais faixas etárias (20,5%). Trata-se de uma das diferenças mais expressivas identificadas pelo estudo.

Para Renata, o dado mostra uma transformação importante na maneira como as novas gerações enxergam o trabalho. “O trabalho continua sendo uma dimensão central da vida, mas deixou de ser apenas uma fonte de renda. Os jovens buscam propósito, desenvolvimento, pertencimento e saúde mental. Quando essas necessidades não são atendidas, o impacto emocional aparece muito cedo na trajetória profissional”

A geração da comparação

Outro resultado robusto mostra o peso das redes sociais na percepção de bem-estar. Mais de 77% dos jovens afirmam já ter comparado sua vida com a de outras pessoas nas redes sociais, enquanto 71,1% dizem já ter ficado tristes após consumir esse tipo de conteúdo. Ambos os indicadores são significativamente superiores aos observados entre pessoas acima de 25 anos. Além disso, 63,4% reconhecem sentir-se dependentes de redes e telas.

“Vivemos uma geração permanentemente exposta a padrões de sucesso, beleza, consumo e felicidade. O cérebro humano não foi preparado para se comparar centenas de vezes por dia. Isso afeta autoestima, sensação de pertencimento e percepção de valor pessoal”

Um alerta para o futuro

Embora os jovens mantenham níveis de esperança semelhantes aos das demais gerações, o presente é marcado por maior sofrimento emocional. Para ela, os dados reforçam a necessidade de um esforço coletivo envolvendo famílias, escolas, empresas e políticas públicas.

“Cuidar do bem-estar dos jovens não é proteger uma geração. É investir na capacidade que ela terá de inovar, colaborar, liderar e construir relações mais saudáveis no futuro. Uma sociedade emocionalmente esgotada dificilmente conseguirá construir um país mais sustentável e humano”.

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Por Renata Rivetti

Pesquisadora da Ciência da Felicidade, fundadora da Reconnect Happiness at Work, única representante no Brasil do movimento 4 Day Week Global, autora do Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026, colunista da Fast Company Brasil e palestrante com atuação em organizações nacionais e internacionais

Artigo de opinião

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