O que a dieta de Haaland revela sobre performance esportiva
Especialistas analisam a dieta ancestral, seus benefícios e limites, e o papel da genética no rendimento
Erling Haaland, centroavante da seleção da Noruega, tem ganhado destaque não apenas por seu desempenho em campo, mas também por sua alimentação incomum. Sua dieta ancestral, baseada exclusivamente em alimentos de origem animal como coração e fígado de boi, leite cru e mel orgânico, dispensa suplementos sintéticos como whey protein. Essa abordagem, conhecida como dieta animal-based, tem despertado interesse sobre seus efeitos na performance esportiva e na saúde.
Entendendo a dieta ancestral
Diferente da low carb, que apenas reduz carboidratos mantendo vegetais e frutas, e da dieta paleo clássica, que elimina ultraprocessados e grãos mas preserva tubérculos e castanhas, a dieta ancestral elimina completamente fibras, fitoquímicos e carboidratos vegetais. Ela se baseia exclusivamente em carnes, vísceras, ovos, peixes e laticínios, destacando-se pelo alto grau de restrição vegetal.
Alimentação, DNA e desempenho
Segundo o geneticista Alexandre Lucidi, a alimentação influencia a expressão gênica por meio de mecanismos epigenéticos, sem alterar a sequência do DNA. Nutrientes como ácidos graxos, vitaminas e minerais atuam como sinais moleculares que regulam metabolismo, inflamação e equilíbrio energético. Lucidi ressalta que, embora o genoma humano seja conservado, o descompasso entre padrões alimentares modernos e mecanismos metabólicos ancestrais pode contribuir para doenças cardiometabólicas.
Ele também destaca que a ciência não comprova que óleos vegetais refinados sejam intrinsecamente pró-inflamatórios. O que mais contribui para a inflamação crônica é o consumo de ultraprocessados, que afetam negativamente a microbiota intestinal e são pobres em compostos bioativos, independentemente da origem animal ou vegetal.
Sobre Haaland, Lucidi afirma que o sucesso esportivo resulta da interação entre predisposição genética, treinamento, nutrição, recuperação e outros fatores ambientais. A alimentação potencializa, mas não determina sozinha o desempenho.
O papel das vísceras na dieta
Fígado e coração de boi, presentes na dieta de Haaland, são ricos em nutrientes essenciais para atletas. O fígado oferece vitamina A na forma ativa (retinol), vitamina B12, folato, ferro heme e cobre. O coração contém coenzima Q10, taurina, ferro e selênio. Esses nutrientes atuam na cadeia respiratória mitocondrial, transporte de oxigênio e síntese de hemácias, sustentando a produção de energia celular e a recuperação muscular.
Especialistas comparam o consumo de 6.000 calorias provenientes de alimentos naturais, ricos em micronutrientes, com a mesma quantidade calórica obtida de ultraprocessados, que são nutricionalmente pobres. Essa diferença impacta diretamente na saúde e performance.
Treinamento e hormônios
Além da dieta, Haaland adota um regime de treino focado em sprints e explosão, evitando corridas longas. Essa estratégia favorece o eixo hormonal GH/IGF-1, responsável pelo efeito anabólico muscular e regenerativo. A ingestão elevada de proteínas e gorduras poli-insaturadas estimula esse eixo, enquanto a restrição de carboidratos pode aumentar a testosterona, embora essa resposta varie individualmente.
Treinos prolongados de endurance podem reduzir a produção de testosterona, condição conhecida como hipogonadismo funcional do atleta. O treino de sprint, por sua vez, preserva esse equilíbrio hormonal e aumenta o VO2 máximo, sendo comum entre atletas de alto rendimento.
Proteção estrutural e recuperação
Proteínas de alto valor biológico fornecem aminoácidos essenciais para reparo muscular, tendões, ligamentos, cartilagem e ossos. Aminoácidos como glicina, prolina e hidroxiprolina participam da síntese de colágeno, fundamental para a estrutura dos tecidos. Minerais como cálcio, fósforo, magnésio e zinco contribuem para mineralização óssea e remodelação tecidual.
Entretanto, a nutrição é apenas parte do processo. Estímulos mecânicos adequados, sono de qualidade e controle da carga de treino são essenciais para adaptação e prevenção de lesões. A cartilagem, por exemplo, tem baixa capacidade regenerativa, e a alimentação ajuda mais na manutenção do ambiente biológico do que na reconstrução de lesões.
Em suma, a rotina alimentar de Haaland exemplifica como a dieta é um componente importante da performance esportiva, mas seu efeito depende da combinação com treino, genética e recuperação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



