Uso de dados e pesquisa reduz riscos em decisões estratégicas nos negócios

Inteligência de mercado ajuda empresas a expandir, lançar produtos e rever posicionamento com mais segurança

Empresas precisam tomar decisões de alto impacto, especialmente quando planejam expandir, investir em um novo produto ou rever seu posicionamento. Nesse cenário, a inteligência de mercado, a pesquisa e a análise de dados ajudam a reduzir riscos ao substituir hipóteses por informações reais, organizadas e interpretadas. Números isolados representam quantidades, mas quando analisados em contexto, tornam-se resultados para decisões mais precisas.

À medida que a organização cresce, os investimentos se tornam maiores, os mercados mais competitivos e os erros mais caros. Por isso, quanto maior o impacto da escolha, maior deve ser o nível de informação utilizado para sustentá-la. Nesse sentido, os dados permitem entender o comportamento do consumidor, identificar oportunidades, avaliar tendências e antecipar movimentos do mercado.

Para empresas em crescimento, contar somente com o feeling passa a ser insuficiente como única fonte de decisão. Para a mestre em Administração e cofundadora da Palco Inteligência de Negócios, Juliana Saboia, muitas empresas acreditam que os dados de que dispõem são suficientes e que a experiência acumulada é a melhor bússola para a tomada de decisão. No entanto, o que raramente se percebe é que esses dados podem estar incompletos.

“Na prática, a percepção chega quando a empresa começa a perder clientes ou mercado, ou quando faz investimentos em lançamentos que não performam como deveriam. É a perda financeira que força a revisão do processo decisório, não uma reflexão espontânea sobre metodologia. O ideal seria que essa percepção viesse antes, em um momento de crescimento, quando ainda há fôlego para ajustar a rota. Quanto antes uma liderança entende o valor de olhar para fora, menos caro fica aprender essa lição”, esclarece Juliana.

Neste cenário, para a doutora em Administração e cofundadora da Palco Inteligência de Negócios, Mariana da Rosa, as instituições mais competitivas do mercado utilizam informações para validar e qualificar suas decisões antes de agir, sem descartar a experiência. “O crescimento sustentável acontece quando a empresa possui uma gestão complementada por dados, pesquisa e inteligência de mercado”, frisa.

Pesquisa antes da expansão

Pensar em expansão costuma estar entre os objetivos de muitos empresários, mas para tirar a ideia do papel, a primeira etapa é avaliar a saúde financeira da empresa. Juliana explica que, quando um negócio vai para o mercado sem conhecer o consumidor, a concorrência ou as particularidades da região onde pretende atuar, há uma chance maior de destinar recursos de forma equivocada.

Para evitar erros e frustrações futuras, além da análise financeira, a pesquisa de mercado funciona como uma ferramenta de prevenção. “O pior cenário não é investir em uma pesquisa de mercado e descobrir que a ideia não vai funcionar. O pior cenário é colocar a ideia em prática, fazer um investimento muito maior do que uma pesquisa custaria, e só então descobrir que o retorno não veio”, complementa.

Como implementar dados internos e externos

A cada seis meses ou uma vez ao ano, muitas empresas realizam planejamentos estratégicos internos para avaliar objetivos e metas. Trata-se, na visão de Mariana, uma ferramenta fundamental para a empresa avaliar a capacidade operacional, financeira e comercial para executar seus objetivos.

A especialista também observa que nem toda decisão exige uma pesquisa formal, mas que toda decisão estratégica deve considerar informações sobre o mercado. Dessa forma, para implementar dados e usar os resultados a favor da empresa, é necessário criar hábitos de análise e acompanhamento.

“Ferramentas como análise SWOT, matriz de mercado, indicadores de desempenho, pesquisas com clientes, análise de concorrência e estudos de viabilidade ajudam a conectar a realidade interna da empresa com as oportunidades externas. O equilíbrio entre olhar para dentro e para fora é o que gera decisões mais consistentes”, aconselha Mariana.

Outras práticas também podem incluir a criação de comitês internos, participação do fundador e/ou CEO em pesquisas externas e análises de mercado, leitura semanal de relatórios de tendências e acompanhamento do noticiário do setor.

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Por Monique Amboni

Artigo de opinião

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