Casamentos homoafetivos crescem e batem recorde no Brasil

Dados de 2025 mostram alta de 8,9% nas uniões entre pessoas do mesmo sexo e reforçam a mudança no comportamento e na família.

Às vésperas do Dia Internacional do Orgulho LGBT, celebrado em 28 de junho, os números dos cartórios ajudam a dimensionar uma mudança importante no Brasil: os casamentos homoafetivos continuam em alta e alcançaram um novo patamar em 2025.

Segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, divulgados pela Folha de S.Paulo e reproduzidos pela Agência Aids, foram registrados 15.520 casamentos entre pessoas do mesmo sexo no país no ano passado. O volume representa crescimento de 8,9% em relação a 2024, quando houve 14.247 registros.

Mais de 43 uniões por dia

Na prática, o dado equivale a cerca de 43 casamentos por dia. E o movimento não parece ter perdido força: informações preliminares de 2026 já indicavam mais de 6 mil casamentos entre janeiro e maio, o que pode apontar para mais um recorde anual.

O recorte mais consolidado do IBGE ainda é o de 2024. Na pesquisa Estatísticas do Registro Civil, o instituto registrou 12.187 casamentos entre pessoas do mesmo sexo, alta de 8,8% sobre 2023 e o maior número da série histórica iniciada em 2013.

O que os números mostram sobre família e comportamento

Além do avanço nos cartórios, o levantamento do IBGE ajuda a entender como esse fenômeno vem se consolidando no país. Em 2024, 64,6% dos casamentos homoafetivos ocorreram entre mulheres, enquanto os registros entre homens cresceram 3,3% no período.

Na leitura apresentada pelo setor, o crescimento não diz respeito apenas à formalização jurídica. Ele também revela mudanças no modo como casais LGBTQIA+ ocupam espaços familiares, sociais e simbólicos — e como o casamento civil passa a representar visibilidade, pertencimento e reconhecimento público.

Da conquista jurídica às cerimônias mais personalizadas

A consolidação desses casamentos tem relação com marcos importantes da legislação brasileira. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável homoafetiva como entidade familiar. Depois, em 2013, a Resolução 175 do Conselho Nacional de Justiça proibiu cartórios de recusarem habilitação, celebração de casamento civil ou conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Na prática, isso também impactou o mercado de casamentos. Para muitos casais LGBTQIA+, a cerimônia precisa ser construída de forma mais autoral, sem fórmulas prontas nem modelos que apaguem a identidade do casal. Entradas, convites, escolha de padrinhos, fala do celebrante e até a relação com familiares entram nesse processo de personalização.

Ferramentas digitais também passaram a ter papel importante nessa organização. Sites de casamento, por exemplo, podem reunir informações práticas, orientar convidados sobre dress code e nomes sociais, além de ajudar a reduzir ruídos em celebrações que ainda convivem com diferentes níveis de acolhimento familiar.

Mais do que números, os dados reforçam uma transformação em curso: casar, para muitos casais homoafetivos, é também uma forma de afirmar presença, construir memória e celebrar o amor em seus próprios termos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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