Smartwatch ajuda no treino, mas não substitui profissional

Wearables podem apoiar exercícios, sono e recuperação, mas especialistas alertam: os números precisam ser interpretados no contexto de cada pessoa.

Relógios inteligentes, anéis conectados e outros dispositivos vestíveis já fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Eles ajudam a acompanhar sono, frequência cardíaca, gasto calórico, recuperação física e nível de atividade — mas, segundo especialistas, os dados não devem ser vistos como uma resposta pronta sobre saúde e treino.

O recado é simples: wearable ajuda, mas não substitui acompanhamento profissional. Para o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo, a tecnologia trouxe avanços importantes, mas também criou um novo desafio: entender o que realmente significam as métricas exibidas no pulso.

Mais dados, mais segurança — desde que haja contexto

Um dos indicadores mais usados pelos smartwatches é a Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC), também chamada de HRV. A métrica mede as pequenas variações entre os batimentos e pode ajudar a observar sinais de recuperação, fadiga, estresse e adaptação ao treino.

Na prática, isso pode ser útil para ajustar a intensidade dos exercícios e evitar exageros. Mas a leitura isolada não basta. A interpretação precisa considerar histórico, rotina, alimentação, sono, idade e nível de treinamento.

Segundo Jauan, “A tecnologia representa uma evolução extraordinária porque permite acompanhar aspectos que antes só eram avaliados em clínicas ou laboratórios. Porém, os dados não podem ser encarados como sentença. Eles são ferramentas que ajudam a orientar decisões, ajustar protocolos de treino, recuperação e hábitos de vida. O problema começa quando a pessoa passa a acreditar que o relógio conhece mais o próprio corpo do que ela mesma”, explica.

Quando a métrica vira ansiedade

Se os wearables podem incentivar hábitos saudáveis, também há um lado de alerta. Especialistas chamam de ortossonia a obsessão por alcançar números “perfeitos” de sono e recuperação. O termo foi descrito em um estudo publicado em 2017 no Journal of Clinical Sleep Medicine, que observou pacientes excessivamente preocupados com os dados de rastreadores de sono.

Esse comportamento pode levar a uma espécie de dependência da métrica. Jauan relata que vê isso com frequência: “Vejo pessoas acordando e a primeira coisa que fazem é consultar a nota do sono. Se o número aparecer abaixo do esperado, elas já acreditam que terão um dia ruim, mesmo se estiverem se sentindo bem. Isso gera uma dependência psicológica da métrica. O dado deve servir para orientar, não para controlar emocionalmente a pessoa”.

O melhor uso da tecnologia

Pesquisas da UFMG indicam que notificações, metas diárias e feedbacks instantâneos podem aumentar a motivação para a prática regular de atividade física, especialmente entre pessoas sedentárias. Ou seja: o relógio pode ser uma porta de entrada para uma vida mais ativa.

Mas o objetivo ideal é transformar o incentivo externo em motivação interna — quando a pessoa passa a se exercitar porque entende os benefícios e sente prazer no processo. No fim, a tecnologia pode ser uma grande aliada, desde que usada como ferramenta de apoio, e não como juiz do corpo.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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