Menopausa entra na pauta da saúde mental no trabalho

Novo olhar da NR-1 amplia a atenção aos riscos psicossociais e destaca o impacto dos sintomas do climatério na produtividade das mulheres.

Os sintomas da menopausa e do climatério estão ganhando novo espaço na conversa sobre saúde mental no trabalho. Com a entrada em vigor da nova NR-1, na última terça-feira, dia 26, as empresas passam a olhar com mais atenção para riscos psicossociais — um movimento que ajuda a colocar no radar queixas como insônia, ansiedade, irritabilidade, fadiga, névoa mental e ondas de calor.

O tema não é apenas de saúde individual. Segundo estudo do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, os sintomas da menopausa geram perda superior a R$ 2 bilhões por ano à economia brasileira, considerando apenas afastamentos formais. A pesquisa foi conduzida por Clarita Costa Maia, doutora em Direito pela USP e pesquisadora em relações internacionais e regulação, e por Fabiane Berta, médica pesquisadora em climatério na Unifesp e integrante da International Menopause Society.

O impacto vai além do consultório

O levantamento estima que 29 milhões de mulheres estejam em fase climatérica ou pós-menopausa no país. Desse total, 87,9% apresentam sintomas, 63% estão economicamente ativas e 33% são principais provedoras da renda familiar. Na prática, isso significa que o tema atravessa rotina, carreira e orçamento dentro de casa.

De acordo com o estudo, 1,9 milhão de brasileiras deixam de trabalhar todos os anos por causa dos sintomas climatéricos. E esse número ainda não inclui situações como presenteísmo, redução de jornada, pedidos de demissão, aposentadorias precoces e custos médicos indiretos, fatores que podem aumentar bastante o impacto real.

Sintomas que muitas vezes passam despercebidos

Fabiane Berta chama atenção para o fato de que a menopausa ainda costuma ser tratada em silêncio. Segundo a médica, os sintomas aparecem no corpo, no humor, no sono, na cognição e também no desempenho profissional. Entre as manifestações mais citadas estão dificuldade para dormir, cansaço persistente, irritabilidade, lapsos de memória, dores articulares, queda de libido, ressecamento vaginal, sudorese noturna e sensação de névoa mental.

Ela também destaca que esses sinais podem ser confundidos com estresse, burnout, ansiedade ou depressão, o que atrasa o diagnóstico. Os dados técnicos sobre perimenopausa mostram ainda que 70% das mulheres latino-americanas enfrentam sintomas antes dos 45 anos, e que uma em cada quatro considera as manifestações completamente debilitantes.

O que a NR-1 muda na prática

A NR-1 não trata especificamente da menopausa, mas amplia a responsabilidade das empresas sobre riscos psicossociais ligados ao trabalho. Por isso, o debate ganha força como uma questão de saúde pública, equidade e permanência das mulheres no mercado.

Como resume Fabiane Berta, a mulher no climatério não deixa de ser produtiva — ela atravessa uma fase biológica que pede cuidado. Quando esse acolhimento não existe, sintomas tratáveis podem virar afastamento, queda de desempenho e saída precoce do trabalho.

No centro dessa discussão, fica uma pergunta importante: como transformar um tema ainda tratado em silêncio em política de cuidado real dentro das empresas?

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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