Livro de Cesar Garcia Lima aborda desejo e pertencimento
Em estreia na ficção, autor reúne 12 contos sobre deslocamento, alteridade e identidade em obra publicada pela 7Letras.
No Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, vale conhecer a estreia de Cesar Garcia Lima na ficção: “Se você não tem paz interior então você vem aqui pra capital”, livro de contos publicado pela 7Letras. A coletânea reúne 12 narrativas que exploram identidade, desejo, memória e a busca por pertencimento, com personagens marcados pelo deslocamento e pela diferença.
A obra chama atenção também pelo ponto de partida do conto que abre o livro, “Escrito no dinheiro”. O texto nasceu de uma nota encontrada pelo autor quando ele morava no centro de São Paulo, nos anos 1990, e virou uma história sobre troca de identidade e inquietação política no fim da ditadura.
Um livro sobre encontros, perdas e deslocamentos
Ao longo das páginas, Cesar Garcia Lima costura cenários muito diferentes: do centro urbano à mitologia grega, da poesia francesa à literatura brasileira. Entre os contos, há referências a personagens e autores conhecidos, além de narrativas que vão do formato mais tradicional ao poema em prosa.
O livro traz histórias como “Nossa Senhora de Copacabana com Santa Clara”, em que um ex-padre e uma enfermeira se encontram; “As ilhas de Dédalo”, que revisita o mito do labirinto; “O show da estrela”, com a reaparição de Macabéa diante de um reality show; e “Dia de visita”, narrado pela voz de uma mulher internada.
Identidade e desejo como centro da narrativa
Entre os destaques do volume está o conto “Prefiro a língua de Verlaine e Rimbaud”, que aborda de forma delicada e homoerótica a relação entre dois homens em Paris. O texto entrelaça literatura, memória e intimidade, reforçando a proposta do livro de olhar para o outro como forma de também pensar a si mesmo.
Poeta, cronista, jornalista e pesquisador de literatura e cinema, Cesar Garcia Lima já publicou quatro livros de poesia e um de crônicas antes de estrear na narrativa curta. Nascido em Rio Branco, no Acre, ele viveu em São Paulo, morou em Paris e hoje reside no Rio de Janeiro. Essa trajetória de deslocamentos ajuda a entender a atmosfera do livro, que transita entre cidades, tempos e vozes.
Com 64 páginas, o livro foi lançado em 2025 e tem orelha assinada por Ruy Proença, que define a obra como um “caleidoscópio de cenas urbanas”. Para quem busca uma leitura curta, mas carregada de camadas, é uma indicação certeira dentro do universo de livros LGBTQIAPN+, literatura brasileira contemporânea e contos sobre identidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



