Bebê faz força para evacuar? Pode ser disquesia
Entenda por que alguns bebês choram e ficam vermelhos antes de fazer cocô, mesmo com fezes moles, e como diferenciar de constipação.
Ver o bebê fazer muita força, ficar vermelho e chorar antes de evacuar pode assustar qualquer família. Mas, nos primeiros meses de vida, esse comportamento nem sempre significa prisão de ventre. Em alguns casos, pode ser disquesia do lactente, uma condição funcional ligada ao amadurecimento do corpo para coordenar a hora de fazer cocô.
O que acontece na disquesia?
Segundo o fisioterapeuta pediátrico Ícaro Ramalho, o bebê ainda não consegue organizar bem os músculos envolvidos na evacuação. Ele faz força, mas de forma desordenada. Por isso, pode se contorcer, chorar e demonstrar desconforto antes de conseguir evacuar. Depois, porém, as fezes costumam sair moles ou pastosas.
Esse é um ponto-chave: na disquesia, o esforço vem acompanhado de fezes macias. Com o tempo, o sistema neuromuscular amadurece e o quadro tende a melhorar naturalmente.
Como diferenciar de constipação, gases e cólica
Nem todo bebê que chora para evacuar está com disquesia. Na constipação, as fezes costumam ser duras, ressecadas, em bolinhas ou em grande volume. A Sociedade Brasileira de Pediatria define a constipação intestinal como evacuações difíceis ou dolorosas de fezes ressecadas, que podem acontecer todos os dias de forma incompleta ou demorar dias para ocorrer.
Já nos gases, o bebê pode se contorcer, chorar, soltar pum e depois relaxar. Na cólica, o choro costuma ser mais prolongado e difícil de consolar, sem alívio claro com colo, peito ou mamadeira.
Observar o que acontece antes e depois do episódio ajuda muito a identificar o quadro e orientar a conversa com o pediatra ou com o fisioterapeuta pediátrico.
O que pode ajudar no conforto do bebê
Se o bebê está bem entre os episódios, mama normalmente, ganha peso e não apresenta sinais de alerta, a orientação é observar e oferecer conforto. Algumas medidas podem ajudar:
- Colo e acolhimento;
- Ambiente calmo;
- Movimentos suaves com as perninhas;
- Posições que tragam alívio, sem força.
A fisioterapia pediátrica pode ser um apoio importante com avaliação individualizada e orientações de mobilidade suave e conforto. O objetivo não é prometer solução imediata, mas ajudar o bebê a passar por essa fase com mais bem-estar.
O que não fazer
Não use remédios, supositórios ou estímulos retais por conta própria. Medicamentos para cólica ou gases também não resolvem a disquesia quando o problema está ligado à coordenação do bebê. Sem orientação profissional, essas intervenções podem atrapalhar o processo natural de amadurecimento.
Quando procurar ajuda
Vale buscar avaliação se os episódios forem muito intensos e frequentes, se houver dúvida sobre o que está acontecendo ou se surgirem sinais como fezes duras, febre, vômitos, perda ou baixo ganho de peso, bebê muito molinho, sonolento ou barriga muito distendida. Nesses casos, a avaliação com o pediatra é essencial.
Para muitas famílias, especialmente as de primeira viagem, entender a disquesia já traz alívio. Saber que o bebê pode estar apenas aprendendo a coordenar o próprio corpo faz diferença no cuidado e na tranquilidade do dia a dia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



