Telas antes dos 2 anos podem atrasar fala; música é aliada no estímulo
Uso precoce de telas pode prejudicar a linguagem infantil; veja como a música ajuda a desenvolver fala e interação nos pequenos
Uso precoce de telas e atraso na fala
Você já percebeu que seu bebê não está formando frases aos dois anos e se perguntou o motivo? Pesquisas recentes associam o uso precoce e excessivo de telas a atrasos no desenvolvimento da fala em crianças pequenas. Um estudo canadense revelou que cada 30 minutos extras diários em dispositivos móveis aumentam em 49% o risco de atraso na fala expressiva, ou seja, na capacidade de se comunicar com palavras e frases.
No Brasil, o acesso à internet por crianças de 0 a 2 anos saltou de 9% para 44% entre 2015 e 2024, o que torna esse tema ainda mais relevante para as famílias. A fonoaudióloga e musicista Cintya Soares explica que o problema não está só no tempo diante da tela, mas no que ela substitui: “Quando colocamos uma tela no lugar da conversa, da música e do canto, retiramos os estímulos que o cérebro infantil mais precisa nessa fase”.
Recomendações e sinais de alerta
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a telas, e que entre 2 e 5 anos o uso seja limitado a uma hora diária, sempre com supervisão.
Os efeitos do uso excessivo podem ser percebidos no dia a dia: crianças que não juntam palavras, evitam contato visual, têm dificuldade de atenção ou ficam irritadas quando a tela é retirada. Esses sinais indicam a necessidade de observação e, se preciso, avaliação profissional.
Música como estímulo ativo para a linguagem
Ao contrário das telas, a música coloca a criança em uma posição ativa. Ritmo, melodia, repetição, pausa e entonação são elementos que ajudam a construir a linguagem. “Uma canção de quatro frases traz vocabulário, ritmo, pausa, entonação e interação — tudo que a fala também usa”, destaca Cintya.
A repetição, tão comum nas músicas infantis, é fundamental para o aprendizado. Cada vez que a criança ouve a mesma canção, seu cérebro processa, antecipa e participa, criando segurança e consolidando o vocabulário.
Mas não basta só deixar a música tocando. Cantar junto, olhar para a criança, nomear objetos e transformar o momento em troca são essenciais para que a música cumpra seu papel de estímulo ativo.
Músicas curtas, repetitivas e com gestos, como cantigas folclóricas e brincadeiras de roda, são as mais indicadas para essa faixa etária. O objetivo é criar presença, contato e interação, não sofisticar o repertório.
Quando buscar ajuda profissional
Quando sinais persistentes de atraso na fala ou dificuldade de contato visual aparecem, a avaliação profissional não deve ser adiada. A música é um estímulo importante, mas não substitui o diagnóstico clínico.
Cintya também destaca o papel do professor de música, que pode identificar sinais de atraso e orientar a família a buscar ajuda, contribuindo para um acompanhamento mais precoce e eficaz.
Em um mundo cada vez mais conectado, a música surge como uma alternativa simples e acessível para devolver às crianças a troca humana essencial para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



