Relacionamentos abusivos: por que sair de uma relação tóxica nem sempre encerra o ciclo
Especialista em terapia sistêmica explica como padrões familiares e emocionais influenciam a repetição de vínculos abusivos
Romper um relacionamento abusivo é um passo fundamental, mas não significa necessariamente o fim do ciclo de violência. Muitas mulheres enfrentam a repetição de padrões emocionais e familiares que as levam a se envolver novamente em relações tóxicas. Entender esse processo é essencial para quem busca uma transformação verdadeira e duradoura.
Por que o término não basta para encerrar o ciclo
Especialistas em terapia sistêmica apontam que o problema vai além do agressor. Muitas mulheres foram ensinadas, de forma explícita ou implícita, a associar amor com renúncia, sofrimento ou responsabilidade excessiva pelo outro. Esses padrões influenciam escolhas, limites e formas de se relacionar, dificultando a construção de relações saudáveis.
O papel dos padrões familiares na repetição de relações tóxicas
Dentro da terapia sistêmica, é comum identificar padrões familiares repetidos ao longo de gerações, como dificuldade em estabelecer limites, tendência ao autossacrifício e normalização de relações desequilibradas. Esses modelos são reproduzidos de forma inconsciente, fazendo com que mulheres se envolvam em vínculos baseados em controle, culpa ou dependência emocional.
Dados que mostram a dimensão do problema
Segundo dados recentes do Ministério das Mulheres, a violência contra mulheres ocorre majoritariamente em relações íntimas. Ex-companheiros representam 31,5% dos agressores identificados, enquanto companheiros atuais correspondem a 24,3% dos casos. Em 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 1.088.900 atendimentos, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, média de 425 denúncias por dia, alta de 17,4% na comparação anual. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o canal já registrou 45.735 denúncias, aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Como a terapia sistêmica pode ajudar
O processo terapêutico ajuda a reconhecer esses padrões para que a mulher deixe de reproduzir vínculos baseados em controle, culpa ou dependência emocional. O foco está no fortalecimento da autonomia, identidade e consciência afetiva. A ruptura verdadeira acontece quando a mulher entende que pode construir novas referências de amor e pertencimento, sem repetir histórias marcadas por dor ou desvalorização.
Cida Eliz, especialista em terapia sistêmica, atua no acompanhamento de mulheres em processos de fortalecimento emocional, reconstrução de identidade e quebra de padrões relacionais disfuncionais. Seu trabalho tem foco em consciência emocional, relações saudáveis e reorganização de dinâmicas familiares e afetivas.



