O Diabo Veste Prada 2 e a importância do Employer Branding nas empresas
Filme destaca ambientes tóxicos e reforça estratégias para atração e retenção de talentos
Desde o anúncio, a estreia do filme “O Diabo Veste Prada 2” é aguardada pelos fãs que assistiram em 2006 ao primeiro lançamento. A sensação de nostalgia vem à tona, principalmente daqueles que criaram um carinho pela jornalista fictícia Andrea Sachs, interpretada por Anne Hathaway, devido ao seu enredo no filme, onde a personagem tem que se adaptar a um ambiente corporativo tóxico e um contexto de sobrecarga de trabalho em uma revista.
Esse mesmo cenário de cultura organizacional negativa, no qual o ambiente causa prejuízo à saúde mental de funcionários, competitividade excessiva, falta de valorização e liderança prejudicial, pode ser observado em casos reais de empresas que ainda atuam no estilo “Miranda Priestly”, chefe da personagem.
Uma pesquisa da MIT Sloan, escola de negócios de Massachusetts, revelou que a cultura tóxica é o principal motivo pelo qual os funcionários deixam seus empregos, superando o salário. No Brasil, os afastamentos por queixas de saúde mental dobraram entre 2014 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ao todo, em 2024 foram mais de 440 mil episódios do tipo em todo o país.
Diante desse contexto, fica claro que poucas pessoas aceitariam trabalhar na revista Runway, especialmente a nova geração. É um cenário em que a Geração Z prioriza propósito, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e lideranças mais empáticas. De acordo com a Forbes, 89% dos jovens consideram ter propósito essencial para a satisfação no trabalho. Além disso, dados da Randstad indicam que 44% da Geração Z prioriza flexibilidade de horários acima da remuneração.
Conciliar o prestígio e o glamour da marca com um cotidiano frequentemente associado ao desgaste emocional, à falta de reconhecimento e à ausência de sentido no trabalho já não faz mais sentido para as pessoas como na época em que a obra foi retratada. Assim, o Employer Branding poderia ser aplicado de forma estratégica para transformar a redação da revista Runway em um ambiente mais atrativo e alinhado às expectativas das novas gerações.
O processo de introdução do Employer Branding em uma marca tem início com a realização de um diagnóstico cultural profundo. As empresas precisam reconhecer sinais claros de falhas na gestão de pessoas, como jornadas excessivas, estar “sempre online” para o trabalho e o ambiente tóxico, que envolve não reconhecer as entregas do funcionário e a falta de valor condizente com os resultados. A protagonista do filme trabalha de forma exagerada, além de não ser reconhecida. Esse momento de identificação é essencial para entender a distância entre a cultura vivida e a cultura desejada.
Uma pesquisa da Conquer Business School aponta que 77% dos profissionais no Brasil fazem horas extras com frequência, principalmente devido à sobrecarga de tarefas e falhas na organização do trabalho, o que mostra que o problema se encontra na cultura e nos processos das empresas.
Bell Gama, sócia-fundadora da Air Branding, agência pioneira em Employer Branding no Brasil, destaca que “um diagnóstico de marca empregadora eficaz nasce da convergência entre diferentes escutas, liderança, colaboradores e talentos, combinadas a dados e metodologias complementares”.
Na sequência, a construção de um “EVP” (Employee Value Proposition), ou Proposta de Valor ao Empregado, é fundamental. Por meio dessa metodologia, a empresa estrutura sua cultura em atributos claros e coerentes, definindo o que oferece, o que espera e como se posiciona para seus talentos ao longo de toda a jornada profissional. A proposta envolve pesquisas aprofundadas e de duplo sentido, que promovem escuta ativa e construção conjunta de soluções, com o objetivo de estabelecer uma cultura baseada em bem-estar e alinhamento de valores.
De acordo com Bell Gama, um “EVP” bem estruturado pode entregar ganhos imediatos, como crescimento de 80% nas candidaturas quando um projeto é lançado no mercado. Além disso, empresas que desejam adquirir “brand awareness” podem melhorar significativamente sua posição no mercado em poucos anos. Também são observados ganhos internos, como redução de 20% no tempo de atração e seleção, e aumento de 35% na entrada do funil de recrutamento, trazendo leads mais qualificados.
Não existe pessoa “certa” ou “errada” para um trabalho. O que existe é alinhamento. Assim, o Employer Branding atrai e retém quem realmente faz sentido para aquela cultura.
Autora: Mariana Cruz



