Exposição Vozes da Parede: o testemunho do espaço pode ser visitada até terça-feira (12/4) na Oficina Cultural Oswald de Andrade

Idealizada coletivamente por um núcleo de artistas em diálogo ao longo de todo o processo de criação, Vozes da Parede exibe obras em diferentes linguagens, como escultura, fotografia, performance, arquitetura, luz e som. As obras investigam narrativas de um corpo que é diluído - desfeito e morto - sob a ação do espaço da casa

A exposição multidisciplinar Vozes da Parede: o testemunho do espaço encerra temporada dia 12 de abril de 2022 na Oficina Cultural Oswald de Andrade, programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e gerenciado pela Poiesis.

Com obras apresentadas em diversas plataformas – como esculturas, fotografias, vídeos e performances ao vivo -, a mostra exibe ao público imagens da diluição do corpo da performer a partir de materiais como o gesso e o látex, fazendo com que as paredes não componham apenas a estrutura da casa, mas que sejam testemunhas, revelando as violências encobertas até então.
A pesquisa que originou a mostra foi feita por artistas de áreas diversas – a artista Paula Halker assina a direção do projeto, a performance ao vivo, as esculturas e também as fotografias que estão expostas no local. A arquiteta Marina Legaspe assina expografia e cenografia, enquanto Emilie Becker é a compositora musical da mostra e Gabrielle Távora assina a produção.

Segundo Paula Halker, responsável pela direção artística do projeto, a exposição foi realizada de forma conjunta, sendo composta por peças de diferentes materialidades. Cortinas de látex penduradas como vultos, fotografias impressas em pedaços de parede, esculturas de gesso como vestígios da interação com o corpo da performer, bem como videoartes e uma ambiência sonora que evoca as fantasmagorias de uma casa em ruínas.

Nas seis performances apresentadas ao longo da temporada (25/3, 1/4 e 8/4, sextas-feiras, 19h; e 26/3, 2/4 e 9/4, sábados, 15h), Paula Halker utiliza faixas gessadas em si mesma para criar uma duplificação de seu corpo que fica exposta na parede. “Entre experienciar o sufocamento pelo gesso e a imobilidade submetida por ele, atravesso a sensação de me tornar o espaço, gerando vestígios que se acumulam ao longo da exposição”, conta. Paredes quebradas, corpos de gesso e peles de azulejo são esculturas elaboradas a partir do seu corpo impresso no espaço e passam a fazer parte da exposição Vozes da Parede.

Cada peça exposta passou por um processo de construção em performance para então constituírem esse espaço de ausências. As videoartes que compõem a exposição integram uma tríade composta por andares da casa – sótão, térreo e porão -pretendendo investigar as características físicas do espaço como se cada andar instaurasse um tipo de consciência.

Texto de Parede da exposição 

“Os segredos que moram nas paredes de uma casa são os mesmos que morrem quando morre um corpo. Para contar as histórias dessas memórias perdidas, Paula assume a posição do vestígio: pelo uso do gesso, ensaia o sufocamento e a imobilidade de tornar-se parede, de fundir-se à casa. Dessa interação entre corpo e material, que é simultaneamente processo e performance, surgem corpos-fósseis que se acumulam ao longo da exposição, e com os quais ela interage nas instalações audiovisuais. Diante da impossibilidade de se retratar a violência como ela é, a narrativa da dor e do silenciamento de um emparedamento, imagem ápice de agressão doméstica, é aqui colocada em gesto performático, numa espécie de metonímia da violência.

O processo foi elaborado e desenvolvido por Paula Halker, Marina Legaspe e Emilie Becker, a partir de três perspectivas: o corpo, o espaço e o som. Durante dois anos, trabalharam através de um ciclo retroalimentativo, em que cada uma cria o dispositivo que aciona a ação seguinte, construindo uma ação circular. A partir disso, Paula trabalha com impressões de seu próprio corpo no gesso, na luz e no tempo, construindo os relatos de uma casa que testemunha, que vê e fala por meio de seus rastros.”

Izabela Feffer, antropóloga

Ficha técnica 

Direção artística: Paula Halker

Performance, escultura e fotografia: Paula Halker

Expografia e cenografia: Marina Legaspe

Projeto Sonoro: Emilie Becker

Projeto de Luz: Marcus Garcia

Captação de vídeo e fotografia: Rodrigo Pivas

Produção: Gabrielle Távora

Identidade visual: Beatriz Oliveira e Marina Legaspe

Montagem: Douglas Vendramini

Mídias sociais: Pevi – Angelina Colicchio

Assessoria de Imprensa: Diogo Marins Locci

Serviço 

Vozes da Parede: o testemunho do espaço 

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade

Data: Até 12 de abril de 2022

Horário de funcionamento da exposição: 

Segundas às sextas-feiras, das 10h às 21h. Sábados, das 11h às 18h. Sessões de performance dias: 25/03, 01/04 e 08/04 (sextas-feiras, 19h); e 26/03, 02/04 e 09/04 (sábados, 15h).

Entrada gratuita

Classificação indicativa: Exposição – 14 anos | Sessões de performance – 18 anos

*Para entrada no prédio da Oficina Cultural Oswald de Andrade é obrigatório a apresentação do comprovante de vacinação contra Covid-19, com duas doses ou dose única, de acordo com o decreto nº 60.989, da PMSP.

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