Carla Candiotto estreia Momo e o Senhor do Tempo dia 15 de janeiro e circula por cinco teatros da cidade até fevereiro

A premiada diretora (vários APCA, Prêmio São Paulo e Prêmio Governador do Estado) interrompeu os ensaios da peça em duas ocasiões por conta da pandemia. A grande sacada de Momo é debater e refletir o significado do tempo com crianças e seus familiares. Realização da Candiotto Produções.

Tem nome e sobrenome a criatividade nas montagens e a qualidade nas produções no teatro infanto-juvenil: Carla Candiotto. E a boa nova é que tem espetáculo saindo do forno. Quem conhece a atriz e diretora ou já se divertiu em família, assistindo suas criações, sabe que pode esperar por coisa boa vindo por aí. Adaptação teatral do livro O Senhor do Tempo, de Michael Ende, Momo e o Senhor do Tempo segue a ideia de dialogar com crianças e adultos, predominantemente por meio do humor, com tiradas inteligentes e montagens exigentes em termos de cenários, figurino, luz e música. A estreia acontece no Teatro Alfredo Mesquita, onde faz sessões dias 15 e 16 de janeiro. A montagem será apresentada dias 22 e 23 no Teatro João Caetanodias 29 e 30 de janeiro no Teatro Cacilda Beckerdias 5, 6 de fevereiro no Teatro Arthur Azevedo e dias 12 e 13 de fevereiro no Teatro Paulo Eiró. Sempre com entrada franca.

 

Com cenário de André Cortez, iluminação de Wagner Freire, figurino de Chris Aizner, vídeo mapping de André Grynwask e direção de produção de Rodrigo Matheus, Momo tem o elenco formado pelos atores Camila CohenEric Oliveira,  Ernani Sanchez, Fabrício Licursi e Victor Mendes, todos de forte tendência corporal e com grande experiência e relevância no cenário teatral brasileiro. Em 25 anos de trajetória artística, Carla construiu uma reputação que lhe garante um lugar de prestígio nesse cenário e também lhe cobra a responsabilidade de estar sempre se superando. A diretora sabe que, quando uma criança percebe seu pai ou mãe se divertindo numa atividade junto com ela, isso cria uma cumplicidade importante na relação familiar. E os aproxima.

 

Homens de Cinza e sua missão de roubar o tempo das pessoas

 

Escrita a seis mãos, por Carla Candiotto, Victor Mendes e Aline Moreno, a adaptação retrata a importância do tempo na vida das pessoas e a melhor forma de aproveitá-lo.  A menina Momo (Camila Cohen) aparece misteriosamente em uma cidade e vai morar nas ruínas de um antigo teatro abandonado. Lá, onde as crianças desaprenderam de brincar, pouco a pouco ela as ensina a redescobrir esse prazer. Com empatia e atenção, ouve as pessoas, valoriza a relação entre os amigos, os encontros e as ideias diferentes.

 

Tudo parece fazer sentido até que um acontecimento inesperado tira o sossego de todos. Os Homens de Cinzas surgem com a finalidade clara de comprar o tempo das pessoas. O tempo para a brincadeira, o tempo para conversar com os amigos, o tempo de olhar as formigas, ou passear, é roubado e trocado por uma moeda que deixará todos tristes. A missão dos Homens de Cinza é convencer as pessoas de que elas devem “economizar” seu tempo, entregando-o a eles. Na real, eles sugam e estocam o tempo do povo com a desculpa de ajudar a poupar mais. Momo e seus amigos precisam agir rapidamente. Precisam de um plano para enfrentar o inimigo e recuperar o “tempo perdido” de todos.

 

Há um prólogo na peça. Amigo da Momo, Beppo (Victor Mendes) anda de bicicleta e se questiona: “Como inventar uma história? De onde vem as histórias? Quando elas precisam nascer? Para que precisamos dela?” Ele está procurando uma história para viver. Está precisando de uma. Dizem que as histórias te escolhem, dizem que elas são tão poderosas que você não consegue mudá-las, uma vez que elas existem. “A história é sobre uma menina heroína, é sobre amizade, carinho e o respeito entre os cidadãos de uma pequena vila. Beppo e Gigi são os amigos guardiões de Momo, a escolhida pelo senhor do tempo para devolver o tempo das pessoas no mundo”, resume Carla Candiotto.

 

Durante a quarentena da pandemia, Carla atuou em O Despertar, de Dario Fo, com direção de Neyde Veneziano, e dirigiu outras três peças (entre eles, O Gabinete de Curiosidades), além do projeto Quarentena de Histórias, com a companhia de teatro da Prefeitura de Jundiaí. Nesse tempo houve duas tentativas de ensaiar Momo  a primeira no começo da crise sanitária, início de março de 2020, e a segunda em 2021. Também em 2021, Candiotto dirigiu as apresentações do projeto musical Concertos na Serra, de forma presencial, em Jundiaí.

 

Adaptação instiga reflexão sobre o tempo

 

A ideia de adaptar Momo e o Senhor do Tempo, de Michael Ende, para um espetáculo teatral infanto-juvenil surgiu da necessidade de discutir e refletir com crianças, jovens e seus familiares sobre o significado do tempo, atualmente. “Vivemos em uma época em que as pessoas vêm se esquecendo do que importa e têm se distanciado cada vez mais delas mesmas e de suas pessoas queridas”, comenta Carla, Prêmio Governador do Estado, em 2015, pelo conjunto da sua obra. Muitas crianças já não sabem mais brincar, porque seus pais não têm mais tempo para lhes ensinar e as largam em frente da TV, do computador e celular. “Encontramos nesta obra visionária, ganhadora do Prêmio de Literatura Juvenil alemã e do Prêmio Europeu de Livros para a Juventude, uma história de aventura sobre uma criança que, por ser corajosa e confiar em si mesma, conseguiu recuperar o tempo de sua cidade, para se divertir e imaginar coisas”, diz a encenadora.

 

Cenário, figurino, luz e música

 

Para contar esta história e seguir a recomendação do autor ao sugerir um cenário criativo, a diretora solicitou a André Cortez uma cenografia não literal, criativa. Com esta concepção, dezenas de caixas de madeiras, retangulares, são manipuladas em cena pelos atores para criar espaços imaginários na cabeça do público. Elas são o barco, o banco da praça, a cadeira do barbeiro e até dão vida à personagem da tartaruga Casiopea.  “As caixas ajudam a contar a história. Sugerem os ambientes ao serem movimentadas e colocadas em variadas posições. E o grande lance é movimentar esses elementos cênicos sem que as pessoas percebam e imediatamente visualizem o que se quer mostrar”, diz Carla.

 

Para contrapor com o cenário, a concepção de Candiotto para o figurino seguiu uma linha oposta. Assim, as peças, criadas por Chris Aizner, remetem ao teatro clássico. A luz de Wagner Freire cria sombras, aumenta e diminuiu os volumes, além de mudar o tom dos elementos cênicos. A música de Marcelo Pellegrini tem inspiração no cinema, vem de temas grandiosos e clássicos.

 

Teatro físico e cômico

 

O projeto é a primeira realização da Candiotto Produções, no sentido de produzir integralmente um espetáculo e sua circulação. Até hoje, além de dirigir por 20 anos a companhia Le Plat du Jour, Carla tem trabalhado como diretora em produções de grande porte, representada por sua empresa, fundada em 2011.

 

Momo e o Senhor do Tempo foi contemplado na 10ª Edição do Prêmio Zé Renato de Apoio à Produção e Desenvolvimento da Atividade Teatral para a Cidade de São Paulo – 2019 e realizará, no início de 2022, uma temporada de apresentações gratuitas na cidade de São Paulo, de modo presencial ou à distância, dependendo do controle da pandemia no momento.

 

Este projeto, já aprovado na Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal, contempla a realização de uma segunda temporada da peça em cinco cidades, com dezesseis apresentações em São Paulo (SP), duas no Rio de Janeiro (RJ), duas em Belo Horizonte (MG), duas em Porto Alegre (RS) e duas em Brasília (DF), em teatros com capacidade de cerca de 350 lugares.

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