Câncer de pele também atinge crianças

* Por Cláudia Lopes

Com a chegada no verão, os cuidados com bebês e crianças em relação à exposição solar precisam ser ampliados na mesma proporção do aumento do calor e dos dias ensolarados. Esta é uma pauta de discussão anual e nunca deve ser deixada de lado. Embora pouco debatida, a incidência do câncer de pele em crianças é maior do que se imagina, daí a importância de falarmos de medidas preventivas a queimaduras, brotoejas, infecções de pele e dermatoses.    

Na adolescência, a doença tem uma incidência anual de 18 casos por um milhão de indivíduos com idades entre 15 e 18 anos. Em crianças menores de dez anos é mais difícil de ser encontrada, com uma taxa de incidência de aproximadamente um caso para cada um milhão de crianças com idade inferior a 10 anos.  

O câncer de pele resulta dos efeitos da exposição solar em médio e longo prazo e pode aparecer a partir do surgimento de lesões pigmentadas – conhecidas como pintas ou nervos melanocíticos, que podem evoluir para um quadro maligno ou não ao longo da vida. Ele aparece em adultos, crianças e adolescentes, já que a nossa derme “tem memória” e acumula os danos solares ao longo da vida. Segundo dados do GRAAC, o câncer de pele em crianças representa de 1% a 3% de todos os casos de câncer infantil.  

 Em média, as crianças se expõem ao sol 3x mais que os adultos, e grande parte – cerca de 80% – da radiação UV (ultravioleta) é acumulada na pele durante a infância e adolescência. A maior preocupação é o dano solar crônico, causado progressivamente como resultado da exposição solar diária sem proteção em qualquer atividade ao ar livre, como na escola e no carro, sem a devida prevenção. Além disso, há o fator hereditário, ou seja, quando há histórico de melanoma na família, é essencial tomar todos os cuidados preventivos possíveis. Outro ponto a destacar é que as crianças de pele e olhos claros, ruivas, com sardas ou albinas têm maior predisposição à doença. 

 Em todos os casos, a prevenção é a mesma: evitar exposição à luz solar sem proteção adequada e oferecer muito líquido, para garantir a hidratação. 

 No caso de melanomas, diferentemente do que ocorre com adultos, em crianças normalmente eles estão relacionados a síndromes hereditárias e a lesões de pele que podem sofrer alterações. Também diferentemente da forma como se apresenta em adultos, que normalmente têm lesões de coloração escura, em crianças o melanoma surge a partir de lesões amareladas, esbranquiçadas ou rosadas.  

 De qualquer maneira, continua extremamente importante iniciar as medidas de proteção bem cedo, considerando que os danos solares são cumulativos e a incidência de queimaduras solares na infância aumenta o risco de melanoma na idade adulta. 

É importante ressaltar que é normal as crianças terem pintas e nevos, que são pequenas manchas marrons ou saliências que vão surgindo progressivamente e são comuns na região do tronco. Quanto maior a exposição ao sol, mais nevos surgem. Porém, embora eles não sejam motivo de preocupação a menos que modifiquem suas cores e formas, é necessário que os pais ou responsáveis fiquem atentos, pois a quantidade excessiva de nevos constitui fator de risco para o melanoma. 

 Assim, os pais devem ficar atentos a pele das crianças, observar lesões pelo corpo inteiro, e não somente nas partes mais expostas aos raios solares. É importante verificar mãos, unhas, pés e o couro cabeludo e observar se, de tempos em tempos, esses sinais não se modificam.  

Os sintomas de melanoma infantil mais comuns são: 

  • Saliências na pele que coçam ou sangram. 
  • Sinais de aparência estranha e tamanho grande, diferentes de outras pintas existentes no corpo da criança. 
  • Uma lesão similar a uma verruga, de cor amarelada, esbranquiçada ou rosada. 

     

    Por fim, no verão é essencial que os cuidados relacionados à alimentação, hidratação, vestuário e exposição solar sejam redobrados, e não somente com as crianças. Para todos, a regra é a mesma: se for para se expor ao sol, lembre-se de respeitar os horários adequados, evitando os picos de emissão de radiação ultravioleta, que ocorrem das 10h às 16h, e nunca deixe de aplicar protetor solar adequado à pele e à faixa etária das crianças. O uso de vestimentas apropriadas, chapéus e óculos de sol aumentam a proteção, e o filtro solar deve ser com FPS acima de 30. Bebês menores de seis meses não devem usar protetor solar e nem serem expostos ao sol após as 10h da manhã.  

    Se restarem dúvidas, vale consultar um pediatra ou dermatologista. 

     

     

    * Cláudia Lopes é pediatra e professora do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa. 

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