Luto #3: Do ataque às torres gêmeas à morte de Paulo Gustavo – Por que esses acontecimentos mexem tanto com a gente? – Afina Menina – Um Portal para todas Nós

Luto #3: Do ataque às torres gêmeas à morte de Paulo Gustavo – Por que esses acontecimentos mexem tanto com a gente?

por Márcio Magalhães

O processo de perda de alguém que nos é especial é, quase sempre, muito triste. Mas, é normal sentir dor pela perda de alguém que não faz parte do nosso convívio social? Entenda o que é e como lidar melhor com o chamado luto coletivo.

Nos artigos sobre o luto, publicados nas duas últimas semanas aqui na coluna Foco na Mente, trouxe quais são os sentimentos mais comuns diante da morte de quem nos é querido. Todos reagimos de diversas formas, cada qual com sua velocidade e intensidade, até sentir, finalmente, a “ficha cair” – por isso, quaisquer sentimentos pertencentes ao processo de luto são essenciais e não devem ser retidos. Mas, você já sentiu que a morte de alguém que não fazia parte do seu convívio mexeu profundamente contigo, a ponto de sentir sensações intensas de perda?

Em 2001, o mundo se viu diante de uma cena que ficaria na memória da humanidade até dias atuais. Dois aviões comerciais, sequestrados por terroristas membros da al-Qaeda, foram lançados em direção a duas das mais altas torres da cidade de Nova Iorque, o World Trade Center. Em pouco tempo, o fogo tomou conta de parte dos arranha-céus, fazendo com que sua belíssima estrutura viesse abaixo. Na ocasião, quase 3.000 pessoas perderam suas vidas, entre os terroristas, os passageiros dos aviões e pessoas que estavam no interior das torres gêmeas. Naquele dia, assim como nos próximos que vieram, era quase impossível encontrar alguém que não se sentisse consternado com o acontecido.

Vinte anos depois, em 4 de maio de 2021, o Brasil viu-se desolado diante da morte do ator e humorista Paulo Gustavo. Autor de personagens hilários, como a Dona Hermínia, estrela da sequência de longas-metragens intitulados Minha Mãe É Uma Peça, Paulo faleceu vítima de complicações decorrentes de infecção pelo Coronavírus. Imediatamente, os meios de comunicação, bem como redes sociais viram a unanimidade absoluta do sentimento de tristeza das pessoas; não somente de quem declarava-se fã.

Por outro lado, como em todo acontecimento envolvendo a morte de pessoas que não são próximas a nós, surgem também os que, com frases disfarçadas de opinião pessoal, anulam o sentimento da perda. Frases como “mas você nem o(a) conhecia pessoalmente!” ou “ele(a) nem sabia da sua existência e você fica nessa tristeza!” acabam por tornar tudo ainda mais difícil. Mas, essa reação entendida como luto coletivo, é um sentimento natural em nós.

 

O que é o luto coletivo?

É quando há uma grande comoção pela morte de alguém, podendo abranger uma região, um país ou mesmo todo o mundo. O luto coletivo traz à tona, dentro destes grupos, sentimentos comuns ao processo de perda, muitas vezes ainda mais potencializados, algo que só imaginaríamos sentir diante da morte de algum parente ou amigo muito próximo.

 

Não consegue se lembrar de algum fato que despertou o luto coletivo? Veja alguns exemplos.

  • Morte de Ayrton Sena, em 1994
  • Acidente fatal envolvendo integrantes do grupo Mamonas Assassinas, em 1996
  • Falecimento da Princesa Diana, em 1997
  • Assassinato de Isabella Nardoni, em 2008
  • Incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria – RS, em 2013
  • Queda do avião que trazia integrantes da equipe de futebol Chapecoense, em 2016
  • Rompimento das barragens de rejeitos de minério em Mariana – MG, em 2015, e em Brumadinho – MG, em 2019

 

O que fazer ao nos encontrarmos envolvidos em um luto coletivo?

Apesar de as fases e sensações ligadas ao luto serem necessárias para atravessarmos esse processo, há comportamentos que podem nos ajudar a evitar o aumento da intensidade da dor. Veja alguns deles.

  1. Evite o excesso de informações ligadas à perda em questão: procure não ficar muito tempo em frente à TV ou navegando em páginas de notícias, por exemplo. Nestes momentos de perdas relevantes às massas, a mídia geralmente faz uma ampla cobertura, o que pode causar nosso desgaste mental e um possível aumento de sentimentos depressivos.

 

  1. Se tiver vontade, chore: como trazido na conceituação das fases do luto, a tristeza, após a perda, pode nos fazer entender que o fato é irreversível e fazer-nos chegar à aceitação. Há uma premissa popular que diz que “o choro lava a alma”; para a psicologia, é mais ou menos assim. Há que se complementar, ainda, que a retenção de nossos sentimentos pode gerar graves consequências psicológicas.

 

  1. Preste sua última homenagem: se a morte em questão for de alguma figura popular e o acesso ao velório e/ou sepultamento for possível ao público, estar presente pode ajudar. Cerimônias de despedida podem nos fazer compreender melhor os fatos. Se isso não for possível, leia livros, assista filmes ou ouça músicas de autoria do falecido, por exemplo, caso ele tenha atuado nestes segmentos. O importante é dedicar algum tempo com homenagens e rituais de despedida para que a mente registre a sua partida.

 

  1. Apegue-se às suas crenças: todo tipo de crença pode nos ajudar a superar dificuldades. Pedir, em forma de oração, para que Deus (ou qualquer outra representação superior) nos traga o alívio para os males é, segundo muitos especialistas, uma ótima ferramenta de autocura mental. Ou seja, ao buscarmos uma forma de apoio em cessar sentimentos dolorosos, estamos, inconscientemente, projetando nossa mente à cura.

 

  1. Busque ajuda profissional: caso tenha dificuldades em viver tranquilamente após a perda, a ajuda de um psicólogo pode ser de grande valia. Ele é quem irá te ajudar a ressignificar sentimentos negativos, fazendo-nos entender melhor nossos próprios pensamentos e como nos comportamos diante de situações inerentes à vida humana.

 

Obrigado por sua leitura e até semana que vem!

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