Cartas

30 dias

30 dias – 28 de agosto de 2019

Já faz um mês que você se foi…

Um mês… E eu fico aqui, lembrando de pequenos gestos e manias para não esquecer, e me pego rindo…

Trinta dias, minha prima… 30…

Trinta dias que a sua voz, que já estava silenciada, calou-se… Trinta dias de um hiato infinito que nem a morte, nem a vida são capazes de superar… Trinta dias sem desabafos, sem mensagens no celular que jamais serão lidas por você… Trinta dias sem a sua risada, daquelas que você dizia que doía o rosto, o queixo, as bochechas e arrancavam lágrimas dos olhos…

Ontem eu comi pastel, e de repente, estava lá, colocando para dentro dele a carne que caía, assim como você fazia… Devolvendo-a, porque era lá que ela tinha que estar, e não esparramada no prato…

Mas não tenho mais você para devolver a carne (e para eu rir desse ato, junto com o Uli), e pra piorar, não temos quem devolva a sua presença pra gente…

Lembro do jeitinho delicado que você limpava, com os dedos, o cantinho da boca, para não borrar o batom… Assim como eu me lembro da sua mania de colocar o anel no dedo indicador para te lembrar de algo que não poderia passar batido – me avisar quando chegasse na sua casa depois de se despedir da gente na casinha era uma dessas prioridades…

E por falar na casinha… 30 dias…

Falamos de você com a mesma frequência que falávamos antes da sua partida. Sentimos ainda a vibração da sua existência. Sabemos que a Lígia está por aqui, embora não tenha vindo na casa nova, coisa que a Ligiane fez na semana passada… Seguimos falando de você, diariamente…

Você repousa na bíblia, no meu coração e na minha cabeça, porque busco lembrar diariamente o som da sua voz pra nunca mais esquecer e fico pensando no que você me diria a cada situação… Como eu aprendi com você…

Você ficou guardada lá na casinha… É lá que temos a maioria de nossas fotos juntas… É para lá que voltaremos, um dia, promessa minha e do Uli, e é lá que esperamos te encontrar para os nossos costumeiros cafés.

Por enquanto, seguimos por aqui, tentando enganar a saudade, quando ela pergunta por você!

Te amo…

Até breve!