Sexo na gestação: quando é seguro e quais cuidados ter

Obstetra explica que não há uma regra única para o desejo e aponta situações em que relações podem exigir restrições.

Sexo na gestação costuma ser seguro em gravidezes sem complicações, mas desejo, conforto e possíveis restrições devem ser avaliados individualmente com o obstetra. Segundo a ginecologista e obstetra Camilla Pinheiro, não existe uma frequência sexual ideal durante a gravidez nem um padrão único de libido.

Uma pesquisa do Sexlog com 1.390 participantes apontou que, para 55% dos usuários da plataforma, a gravidez da parceira aumenta a vontade de transar. Outros 25,5% disseram que o interesse permanece igual, enquanto 1,9% relataram diminuição do desejo. Os dados são um levantamento da própria plataforma, não uma avaliação clínica.

Desejo pode mudar ao longo dos trimestres

De acordo com a médica, náuseas, sono e cansaço podem reduzir o interesse no primeiro trimestre. No segundo, mais disposição e maior irrigação na região genital podem favorecer a excitação. Já no terceiro trimestre, barriga maior, desconforto e ansiedade com o parto podem fazer o desejo diminuir novamente.

Camilla Pinheiro afirma que hormônios não são o único fator envolvido: a percepção sobre o próprio corpo, a qualidade do relacionamento e a ansiedade também influenciam a sexualidade. Para 36,9% dos participantes do levantamento, eles se sentiriam mais sensuais em uma gestação; 13,5% esperavam que a libido se mantivesse e 4,9% previam menos desejo.

Sexo não machuca o bebê em gravidez sem complicações

Segundo a obstetra, em uma gestação sem complicações a penetração vaginal não alcança o bebê, que está protegido pelo útero, pelo líquido amniótico e pelas estruturas que mantêm a gravidez. Ela também diz que a maioria dos abortos espontâneos está ligada a alterações no desenvolvimento do embrião, muitas vezes cromossômicas, e não à atividade sexual.

O sexo no fim da gestação também não deve ser recomendado como método para induzir o parto. Embora o sêmen contenha prostaglandinas e o orgasmo libere ocitocina, que pode provocar contrações passageiras, a médica afirma que os estudos disponíveis não demonstraram benefício consistente para antecipar o parto.

Conforto e orientação médica definem os limites

Não há uma posição indicada para todas as gestantes. Em gravidezes sem complicações, a maioria pode ser segura se não causar dor nem pressionar excessivamente a barriga. A fonte cita posições de lado e aquelas em que a gestante controla profundidade e ritmo como alternativas; na segunda metade da gravidez, permanecer muito tempo deitada de costas pode causar tontura ou queda de pressão em algumas mulheres.

Há situações que podem exigir suspensão ou restrições, como placenta prévia, sangramento sem causa esclarecida, ruptura da bolsa, trabalho de parto prematuro e algumas alterações do colo do útero. Nesses casos, a orientação específica do obstetra é necessária. Para a médica, a relação sexual não deve causar dor e a gestante deve poder interrompê-la diante de qualquer desconforto.

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