El Niño pode deixar preços da feira mais instáveis até o verão
Segundo especialista da UNIASSELVI, chuva excessiva ou falta de água pode afetar lavouras; oferta regional influencia os preços.
O El Niño pode tornar mais instáveis os preços de alimentos frescos até o verão, especialmente os de ciclo curto, como alface, tomate e cenoura. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno deve atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro e permanecer ativo até o início de 2027.
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera os padrões de chuva e temperatura no Brasil. De acordo com Maquiel Vidal Nardon, coordenadora dos cursos da área de Ciências Agrárias da UNIASSELVI, não é apenas o volume de chuva que afeta a produção: a falta de água na floração e o excesso perto da colheita podem comprometer uma safra. Quando a produção cai, a oferta diminui e os preços podem subir mesmo no período de colheita, afirma a especialista.
Impactos variam entre as regiões e os produtos
No Sul, o excesso de chuva pode encharcar o solo, atrasar o trabalho no campo e favorecer doenças nas plantas. No Norte e Nordeste, a seca e o calor podem reduzir o crescimento e a produtividade. Já no Centro-Oeste, chuvas irregulares podem prejudicar o plantio de soja e milho; no Sudeste, os efeitos dependem do local, da cultura e da distribuição das chuvas.
Segundo a Embrapa, o calor durante a floração do tomate pode prejudicar a formação dos frutos e reduzir o volume disponível no mercado. Maquiel afirma que produtos com boa oferta na própria região podem chegar ao consumidor em condições mais favoráveis.
Alimentos de novembro e cuidados para evitar desperdício
Melancia, melão, manga, abacaxi, pepino e abobrinha estão entre os alimentos destacados para novembro, embora a oferta varie conforme a região. A especialista afirma que produtos da estação costumam custar menos quando há maior produção.
Para reduzir desperdícios no calor, a orientação é escolher frutas e legumes firmes, com casca inteira e cor típica, evitar itens expostos ao sol e armazenar verduras e alimentos sensíveis na geladeira. Frutas cortadas devem ficar em potes limpos e fechados. Comprar apenas o que será consumido e aproveitar alimentos com pequenas imperfeições também pode ajudar o orçamento, segundo Maquiel.
A especialista ressalta que não é possível afirmar que todos os alimentos ficarão mais caros em 2027: transporte, estoques, custos de produção e demanda também influenciam o preço final.



