Câncer de próstata: 10 mitos e verdades sobre exames

Oncologista explica que sintomas e PSA alterado não confirmam a doença; INCA estima 77.920 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028.

Um resultado alterado de PSA não confirma câncer de próstata, e a ausência de sintomas não elimina a necessidade de uma avaliação individualizada dos fatores de risco. As orientações são da oncologista clínica Karine Martins da Trindade, da Oncologia D’Or CE e do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (IDOR) – CE, durante a campanha Novembro Azul.

Segundo a especialista, o câncer de próstata costuma não provocar sintomas em suas fases iniciais. Dados citados no material, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimam 77.920 casos novos por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. A doença ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes no país, desconsiderados os tumores de pele não melanoma.

Idade, sintomas e evolução da doença

O risco de câncer de próstata aumenta de forma significativa com a idade, sobretudo depois dos 50 anos, mas a doença também pode acometer homens mais jovens. Histórico familiar e determinadas alterações genéticas hereditárias podem elevar o risco, de acordo com Karine Martins da Trindade.

Dificuldade para urinar, redução da força do jato urinário e aumento da frequência urinária não são, por si só, sinais precoces de câncer de próstata. Esses sintomas podem estar ligados a diferentes condições, especialmente ao crescimento benigno da próstata. Quando relacionados ao câncer, podem surgir em fases avançadas e merecem avaliação médica.

Também é mito que todo homem desenvolverá a doença ao envelhecer. Alguns tumores crescem lentamente e podem nunca causar sintomas ou comprometer a saúde do paciente. Outros têm maior agressividade e exigem tratamento mais precoce. Em casos selecionados, a vigilância ativa, com acompanhamento médico rigoroso, pode ser uma alternativa para evitar tratamentos desnecessários e possíveis efeitos adversos.

PSA e toque retal são avaliados conforme cada caso

O PSA é uma proteína produzida pela próstata e sua concentração no sangue pode aumentar por diferentes razões, como crescimento benigno da próstata, inflamações e câncer. Por isso, um exame alterado não fecha diagnóstico: a interpretação deve considerar idade, histórico clínico e outros achados, podendo incluir exames complementares quando necessários.

O toque retal pode contribuir para a avaliação da próstata, mas não é obrigatório para todos os homens. A indicação depende do contexto clínico. Segundo a médica, a decisão sobre investigação e exames de detecção precoce deve levar em conta fatores de risco, recomendações médicas e preferências do paciente.

Vasectomia, atividade sexual e efeitos do tratamento

As evidências científicas atuais não demonstram relação causal entre vasectomia e câncer de próstata, afirma a oncologista. Já estudos observacionais encontraram associação entre maior frequência de ejaculação e menor risco da doença, mas essa associação não comprova causa e efeito. Não há evidências suficientes para recomendar uma frequência de atividade sexual como estratégia de prevenção.

Receber o diagnóstico também não significa necessariamente perda da potência sexual ou do controle urinário. Cirurgia e radioterapia podem provocar alterações urinárias e sexuais, com riscos que variam conforme o tratamento, as características do tumor e as condições de cada paciente. De acordo com Karine Martins da Trindade, técnicas terapêuticas e estratégias de reabilitação podem reduzir ou tratar parte dessas complicações.

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