Reajuste de plano coletivo pode pesar mais em contratos menores

Dados citados da ANS indicam reajuste médio de 13,48% para contratos com até 29 vidas nos dois primeiros meses de 2026.

Contratos coletivos de planos de saúde com até 29 vidas tiveram reajuste médio de 13,48% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) citados pela consultoria Algaa Saúde. Nos contratos com 30 vidas ou mais, a média foi de 8,71%; considerando todos os planos coletivos, o índice ficou em 9,9%, abaixo dos 10,76% registrados em 2025.

Para Gonzalo Nunez, fundador e atuário responsável pela Algaa Saúde, grupos menores estão mais expostos à volatilidade de eventos isolados de alto custo. Ele afirma que a análise da carteira apenas no encerramento do contrato pode resultar em aumentos inesperados para a empresa contratante.

No primeiro semestre de 2026, a sinistralidade das operadoras médico-hospitalares chegou a 81,9%, 0,8 ponto percentual acima do mesmo período de 2025, de acordo com a ANS, conforme os dados informados pela consultoria. No período, o setor de saúde suplementar teve lucro líquido de R$ 12,1 bilhões, enquanto as operadoras médico-hospitalares registraram lucro líquido de R$ 10,9 bilhões e resultado operacional de R$ 5,6 bilhões.

Por que a sinistralidade influencia o reajuste

No modelo descrito por Nunez, a operadora compara, ao fim de 12 meses, os sinistros pagos e as mensalidades recebidas. Quando a sinistralidade ultrapassa o limite previsto no contrato, o reajuste é aplicado para o ciclo seguinte. Segundo o atuário, aumentos elevados podem levar empresas a ampliar a coparticipação, trocar a rede credenciada ou alterar a categoria do plano oferecido aos colaboradores.

A Algaa Saúde também cita a PEONA, provisão para eventos ocorridos e ainda não avisados, como um ponto que pode afetar as projeções. Trata-se de atendimentos já realizados, mas ainda não faturados pelo prestador. Segundo a consultoria, esse intervalo pode variar de 30 a 180 dias.

Monitoramento contínuo é proposta da consultoria

A consultoria defende o acompanhamento da utilização do plano, do perfil epidemiológico da carteira, das provisões e das regras contratuais durante sua vigência. Segundo a Algaa, essa análise pode identificar desvios de consumo de três a seis meses antes da renovação e criar uma janela de até 180 dias para auditoria de contas, ações de prevenção e renegociação de rede.

Nunez ressalta que não há uma taxa única de sinistralidade adequada para todos os modelos. Segundo ele, a faixa de 70% a 75% é usada como referência para medicinas de grupo e seguradoras, enquanto autogestões podem operar entre 80% e 85%, por terem estrutura distinta e não terem finalidade lucrativa.

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