Nanopartículas de prata combatem parasitas e larvas do Aedes
Estudo do Instituto Butantan relata resultados laboratoriais contra cercárias da esquistossomose e larvas do mosquito.
Pesquisadores do Instituto Butantan desenvolveram nanopartículas de prata que, em testes de laboratório, eliminaram cercárias do Schistosoma mansoni, parasita causador da esquistossomose, e apresentaram ação larvicida contra o Aedes aegypti. Segundo o Instituto, o material foi produzido com compostos secretados pelo fungo Aspergillus tubingensis e teve menor efeito sobre organismos aquáticos não alvo nos testes realizados.
De acordo com o Butantan, baixas concentrações das nanopartículas eliminaram 100% das cercárias após duas horas de exposição. A proposta é agir diretamente nessa fase infectante do parasita, antes que ele consiga infectar uma pessoa, como possível estratégia de controle ambiental da esquistossomose.
Resultados com larvas do Aedes aegypti
A equipe também avaliou larvas do mosquito no quarto e último estágio de desenvolvimento. Após 48 horas de exposição contínua à água com as nanopartículas, foram observados resultados próximos de 100% de letalidade, segundo os pesquisadores. O resultado se restringe aos testes descritos no estudo e indica potencial para impedir que as larvas cheguem à fase adulta.
Testes de seletividade em organismos aquáticos
Para investigar possíveis impactos ambientais, os pesquisadores testaram o material em microcrustáceos, peixes de água doce e um camarão costeiro. Segundo o Instituto Butantan, os organismos não alvo foram significativamente menos sensíveis que as cercárias e as larvas do mosquito. Nos microcrustáceos avaliados, seria necessária concentração 22 vezes maior para provocar morte do que a usada para eliminar o parasita.
A pesquisa foi coordenada por Ana Olivia de Souza, do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação do Instituto Butantan, em colaboração com Edison Barbieri, do Instituto de Pesca de São Paulo. O estudo foi desenvolvido por Luiz Gustavo Ribeiro durante seu doutorado e publicado na revista Environmental Science: Nano, segundo a instituição.



