Amamentação: quais sinais indicam que é hora de buscar ajuda
Neonatologista da Pro Matre Paulista cita dor persistente, fissuras e dúvidas sobre ganho de peso entre os motivos para avaliação.
Dor intensa e persistente ao amamentar, fissuras nos mamilos, sensação de esvaziamento inadequado das mamas, bebê muito sonolento ou irritado durante as mamadas, pouca eliminação de urina e fezes e dúvidas sobre ganho de peso são sinais que devem motivar uma avaliação profissional. Segundo a neonatologista Monica Fráguas, especialista em amamentação da Pro Matre Paulista, esse acompanhamento pode ajudar a ajustar pega, posição, frequência das mamadas e possíveis intercorrências.
A médica afirma que a amamentação envolve técnica, adaptação, tempo, rede de apoio e escuta qualificada da lactante. Para ela, informações devem ser separadas de julgamentos, já que frases como “seu leite é fraco”, “peito pequeno não produz” ou “amamentar sempre dói” ainda fazem parte da experiência de muitas mulheres no puerpério.
O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e sua continuidade até os dois anos ou mais, com introdução alimentar depois desse período. Monica Fráguas ressalta, porém, que a recomendação não deve se transformar em cobrança. “Uma mulher que está amamentando não precisa de mais pressão. Ela precisa ser ouvida, acolhida e orientada com base em evidências”, afirma.
Nem todo choro indica fome
De acordo com a neonatologista, o choro do bebê nem sempre significa fome, assim como a sensação de peito “mais murcho” não indica necessariamente baixa produção de leite. Ela explica que o leite materno é produzido por demanda: quanto mais o bebê mama de forma efetiva, maior tende a ser o estímulo para a produção. Por isso, interpretar sinais isolados sem orientação pode levar a decisões precipitadas.
A especialista também destaca a importância da rede de apoio. Parceiros, familiares e pessoas próximas podem colaborar ao proteger o tempo da lactante, ajudar nas tarefas da casa, evitar comentários comparativos e incentivar a busca por atendimento especializado quando necessário.
Para Monica Fráguas, a conversa sobre amamentação precisa incluir saúde mental, puerpério, retorno ao trabalho, exaustão, dor, insegurança e acesso à informação de qualidade. “Amamentar pode ser bonito, mas também pode ser desafiador. Quando a lactante se sente segura e respeitada, ela ganha mais autonomia para viver esse processo com menos medo e mais confiança”, destaca.



