Suplementação feminina deve variar conforme cada fase da vida
Nutricionista Elaine Henzel afirma que sintomas e objetivos estéticos não substituem a avaliação individual de alimentação, exames e sinais clínicos.
A suplementação feminina não deve seguir uma lista única de produtos, porque as necessidades nutricionais podem mudar da adolescência à menopausa, incluindo períodos como gestação e lactação. Segundo a nutricionista e comunicadora científica Elaine Henzel, da True, a decisão deve considerar o momento de vida, a alimentação, os sinais clínicos e, quando necessário, exames laboratoriais.
Para a especialista, uma mesma dose ou suplemento pode fazer sentido para uma pessoa e ser desnecessário ou inadequado para outra. A avaliação individual é especialmente relevante antes de associar sintomas, como queda de cabelo, unhas frágeis, pele seca, fadiga, alterações no sono ou de humor, a uma deficiência nutricional específica.
Demandas podem mudar ao longo da vida
O ferro é um dos nutrientes que podem requerer atenção durante a vida reprodutiva, pois perdas menstruais, sobretudo em casos de sangramento intenso, podem aumentar o risco de inadequação, afirma Elaine. Situações como endometriose também merecem avaliação individualizada.
Na gestação e na lactação, ferro, folato, cálcio e DHA ganham relevância de acordo com as recomendações para cada período. Já na transição menopausal, a queda dos níveis de estrogênio está associada, segundo o material, a mudanças na composição corporal e à saúde óssea. Nessa fase, a preservação da massa muscular coloca a ingestão de proteínas, a atividade física e nutrientes relacionados à saúde óssea no radar.
Vitamina D, ferro e magnésio também estão entre os nutrientes que podem demandar atenção na saúde feminina. A vitamina D pode ser particularmente relevante para pessoas com baixa exposição solar, enquanto a suplementação de magnésio deve ser individualizada, de acordo com a nutricionista.
Estética não substitui avaliação clínica
Pele, cabelo, unhas, inchaço, emagrecimento e composição corporal motivam a busca por suplementos, incluindo colágeno. Elaine Henzel avalia que essas preocupações não devem ser separadas da saúde, mas alerta que a motivação estética não pode deixar a avaliação clínica em segundo plano.
Dietas muito restritivas, adotadas para emagrecer ou alterar rapidamente a composição corporal, também exigem cuidado. A retirada de grupos alimentares sem planejamento pode reduzir a oferta de nutrientes. Segundo a especialista, estar em uma faixa de peso considerada adequada não exclui a possibilidade de inadequações nutricionais.
Quando há suspeita, a investigação pode reunir histórico, alimentação, sinais clínicos e exames laboratoriais. Hemograma, vitamina D, vitamina B12, folato, vitamina C, zinco e marcadores do metabolismo do ferro podem fazer parte da avaliação, conforme cada situação e a indicação de um profissional de saúde.
A especialista diferencia ainda a correção de uma deficiência comprovada de uma estratégia de manutenção da saúde. No primeiro caso, a conduta depende do nutriente, da intensidade da deficiência e das características da paciente. Na prevenção, o foco é a adequação nutricional ao longo do tempo, sem que isso signifique usar doses elevadas de todos os nutrientes.



