Rabdomiólise: sinais de alerta e cuidados ao treinar

Profissionais orientam progressão gradual, recuperação e avaliação diante de dor intensa, fraqueza, inchaço ou urina escura.

A rabdomiólise associada ao exercício pode ser reduzida com treinos compatíveis com o condicionamento atual, progressão gradual de esforço, recuperação adequada e adaptação ao calor, segundo a educadora física Letícia Teixeira e o médico Filipe Canela de Souza Godoi. Dor muscular desproporcional, fraqueza importante, inchaço e urina escura após o esforço exigem avaliação médica.

O tema ganhou repercussão após a morte de uma corredora de 24 anos durante a Maratona de Nova York, em 1º de novembro. Segundo o material enviado, ela passou mal a pouco mais de três quilômetros da chegada e morreu no hospital; o texto não relaciona a causa da morte à rabdomiólise.

A condição ocorre quando células musculares são destruídas e liberam componentes na circulação. De acordo com Godoi, a mioglobina pode causar toxicidade renal e lesão renal aguda; a elevação de potássio pode levar a arritmias cardíacas. Inchaço muscular intenso também pode provocar síndrome compartimental, uma emergência que compromete circulação e nervos na região afetada.

Além do esforço físico intenso, a rabdomiólise pode estar relacionada a traumatismos, esmagamentos, calor extremo, convulsões, infecções, determinados medicamentos ou drogas. Alterações metabólicas, doenças musculares hereditárias e traço falciforme são fatores que, conforme a fonte, pedem atenção individualizada.

Como iniciar ou retomar os exercícios

Ter experiência em um esporte não significa estar preparada para qualquer modalidade ou carga de treino. Letícia Teixeira, gerente regional da Malibu Exclusive, afirma que a adaptação deve considerar a atividade, os músculos exigidos e a carga atual, e não apenas o desempenho passado.

Segundo os especialistas, o início ou a retomada de exercícios deve incluir triagem de saúde e avaliação física individualizada. Nessa conversa, é importante informar doenças diagnosticadas, lesões anteriores, mal-estar em esforços, infecções recentes e uso de medicamentos e suplementos.

Godoi, especialista em clínica médica do Hospital Santa Tereza, em Campinas (SP), explica que não há uma bateria de exames obrigatória e igual para todas as pessoas. Quem não tem sintomas nem doenças conhecidas geralmente pode começar atividades leves a moderadas com progressão gradual; sintomas ou condições clínicas relevantes demandam avaliação para definir uma prática segura.

Dor no peito, desmaios, falta de ar desproporcional e palpitações com mal-estar requerem atenção médica antes de continuar o esforço. Pessoas sedentárias com doenças cardiovasculares, metabólicas ou renais conhecidas também devem buscar orientação antes de iniciar um programa.

Medidas para reduzir riscos durante o treino

As orientações incluem evitar aumentos abruptos de carga, duração, repetições ou intensidade, especialmente nas primeiras sessões ou ao experimentar outra modalidade. Depois de uma pausa, a recomendação é reconstruir o condicionamento antes de tentar repetir o ritmo anterior.

Também é preciso respeitar intervalos de recuperação e não insistir em exercícios diante de dor intensa, fraqueza ou dificuldade incomum de executar movimentos. A hidratação deve considerar duração do esforço, temperatura, suor e condições individuais, sem impor uma quantidade universal de água ou forçar consumo excessivo.

Em dias quentes, a indicação é reduzir o esforço quando necessário, fazer pausas e permitir adaptação progressiva às condições ambientais. A fonte recomenda ainda não treinar com febre ou doença aguda, informar o uso de medicamentos e suplementos e evitar álcool e drogas associados ao esforço. Medicamentos prescritos não devem ser suspensos por conta própria.

Essas medidas reduzem riscos, mas não eliminam completamente a possibilidade de rabdomiólise. A hidratação isoladamente, ressalta o material, não compensa uma carga excessiva de exercício.

Quando procurar atendimento

Dor muscular muito mais forte do que a esperada, fraqueza acentuada, inchaço, urina escura — semelhante a chá ou refrigerante de cola — e redução do volume urinário são sinais de alerta. Os sintomas podem aparecer horas ou dias após o esforço e não precisam ocorrer todos juntos.

Godoi orienta interromper a atividade e procurar atendimento médico diante de suspeita, sem esperar a urina escurecer. O tratamento depende da gravidade e pode envolver internação, líquidos pela veia e acompanhamento da função renal e dos eletrólitos; quadros graves podem exigir diálise ou cirurgia em casos de síndrome compartimental.

Após um episódio, o retorno aos exercícios deve ocorrer com orientação médica e progressão supervisionada por profissionais de educação física. Casos recorrentes ou desencadeados por esforços pouco intensos podem exigir investigação de condições predisponentes.

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