Moradia para 60+: o que o Senior Living precisa considerar
Painel do GRI Real Estate & Healthcare apontou que renda, localização, autonomia e regras claras influenciam esses projetos no Brasil.
Projetos de moradia para pessoas com 60 anos ou mais precisam considerar o perfil financeiro, a localização e o grau de autonomia de quem vai morar, além de integrar o empreendimento à sua operação. Essa foi uma das conclusões de um painel sobre Senior Living realizado em 28 de outubro durante o GRI Real Estate & Healthcare.
Segundo os dados apresentados no debate, o Brasil reúne mais de 62 milhões de pessoas com 50 anos ou mais. Esse grupo está associado a um movimento econômico estimado entre R$ 2,3 trilhões e R$ 3 trilhões, conforme as metodologias consideradas. Os participantes ressaltaram, porém, que esses indicadores não equivalem automaticamente à demanda por moradias especializadas.
Renda, estrutura familiar, preferências individuais, localização e autonomia são fatores que definem o potencial de cada mercado, de acordo com a discussão. Para Daline Hällbom, CEO da Soderhem, iniciativa sueco-brasileira voltada a possibilidades de moradia para pessoas 60+, a mudança no perfil do consumidor deve orientar o desenvolvimento dos projetos.
Modelos de moradia têm necessidades diferentes
O painel destacou que Senior Living não corresponde a um único tipo de residência. O segmento inclui propostas de Independent Living, voltadas à moradia independente e à preservação da autonomia, além de modelos com diferentes níveis de apoio e assistência e empreendimentos híbridos ou intergeracionais.
Luciano Zuffo afirmou durante o encontro que “não é qualquer produto que cabe em qualquer mercado”. Para os participantes, a proposta de valor de cada empreendimento precisa estar clara para moradores e famílias.
Entre os desafios culturais citados está a associação da mudança de residência à perda de independência, à doença ou à institucionalização. O debate apontou que privacidade, convivência, segurança e serviços influenciam a percepção sobre esses modelos de moradia.
Regulação e operação entram no planejamento
Segundo o painel, a sustentabilidade dos empreendimentos depende da integração entre projeto imobiliário e operação. Infraestrutura de saúde, mobilidade, perfil demográfico, custos de manutenção e capacidade de pagamento devem ser considerados desde o planejamento.
Os participantes também apontaram a ausência de enquadramento regulatório específico para determinadas modalidades de Senior Living, especialmente na diferenciação entre moradia independente e estruturas de assistência. Para Daline Hällbom, referências internacionais, como a experiência escandinava, precisam ser adaptadas às particularidades culturais, econômicas e sociais brasileiras, em vez de simplesmente reproduzidas.



