Hospitais paulistas passam a usar custo por saída nos repasses

Modelo para unidades gerenciadas por OSS considera internações encerradas, complexidade dos casos e indicadores assistenciais.

Os repasses destinados a hospitais estaduais de São Paulo gerenciados por Organizações Sociais de Saúde (OSSs) passam a considerar o custo médio por saída hospitalar, a complexidade dos pacientes e resultados assistenciais. Segundo a Planisa, as Resoluções SS nº 200 e nº 201, publicadas em 22 de setembro de 2026, estabelecem parâmetros para orçamentos e contratos de gestão dessas unidades.

O custo por saída relaciona as despesas da assistência ao número de internações encerradas em determinado período. Para esse cálculo, uma saída corresponde ao encerramento da internação por retorno ao domicílio, transferência para outra instituição ou óbito; transferências entre setores do mesmo hospital não entram como novas saídas.

A metodologia usou informações econômico-financeiras do sistema KPIH, da Planisa, e o histórico de 52 hospitais estaduais administrados por OSSs. De acordo com a empresa, o valor inicial de referência é de R$ 10.906,18 por saída hospitalar e terá atualização periódica.

Como o cálculo dos repasses é composto

A base é calculada a partir da média mensal de saídas hospitalares multiplicada pelo valor de referência. Depois, o resultado é ajustado pelo Índice de Complexidade Relativa (ICR), que considera diferenças entre os hospitais e define o Valor Assistencial de Referência (VAR).

Do VAR corrigido, 90% correspondem à produção hospitalar e 10% formam o fundo de desempenho assistencial. Esse fundo é dividido entre mortalidade ajustada, com peso de 40%, permanência ajustada, com 30%, e taxa de ocupação, também com 30%.

Indicador exige comparação com a complexidade dos casos

Marcelo Carnielo, diretor de Serviços da Planisa, afirma que o custo médio por saída não deve ser interpretado isoladamente. Tempo de permanência, uso de UTI, medicamentos, materiais, procedimentos, tecnologia, eventos adversos, reinternações e perfil assistencial podem influenciar o resultado.

Segundo ele, a redução do custo por saída não representa necessariamente melhora de desempenho se vier acompanhada de altas precoces inadequadas, piora de resultados clínicos, eventos adversos, reinternações ou restrição ao acesso a tecnologias necessárias. A avaliação, afirma, deve reunir custos, produção, complexidade, qualidade e desfechos assistenciais.

A análise da complexidade pode ser feita com classificações como os Diagnosis Related Groups (DRGs), que distinguem perfis de pacientes e necessidades de tratamento. Enquanto o custo por saída mostra diferenças agregadas entre internações encerradas, o custo por paciente permite acompanhar o consumo de recursos em cada jornada intra-hospitalar.

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