Estudo estima avanço anual da dengue em direção ao Sul

Análise preliminar do Institut Pasteur de São Paulo calcula deslocamento médio de 56,6 km por ano entre 2015 e 2025.

Uma pesquisa do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) estimou que a distribuição dos casos de dengue de transmissão local avançou, em média, 56,6 quilômetros por ano em direção a latitudes mais ao sul do Brasil entre 2015 e 2025. Os resultados são preliminares e ainda não foram publicados em revista científica.

Coordenado por Mauro César Cafundó de Morais, responsável pelo Laboratório do Clima e Saúde do IPSP, o estudo analisou casos confirmados registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), além de dados populacionais e geográficos dos municípios brasileiros.

A investigação considerou somente casos autóctones, isto é, aqueles em que a infecção ocorreu no próprio local analisado. Foram avaliadas mais de 61 mil observações, correspondentes à análise de cada município brasileiro em cada ano do período. Municípios sem casos confirmados em determinados anos também entraram na análise.

Faixa com incidência de dengue chegou mais ao sul

Segundo os pesquisadores, a faixa mais ao sul com incidência de pelo menos 100 casos de transmissão local por 100 mil habitantes estava, em 2025, cerca de 550 quilômetros mais ao sul do que em 2015. Essa faixa inclui municípios do Rio Grande do Sul.

Para comparar regiões com populações diferentes, a equipe calculou a incidência de dengue por 100 mil habitantes em faixas de latitude. Foram usados modelos de regressão, modelos aditivos generalizados e reamostragem estatística, conhecida como bootstrap, para estimar a mudança da distribuição ao longo do tempo.

A análise ano a ano indicou uma progressão durante o período, e não um único salto. Em uma avaliação separada dos casos que resultaram em hospitalização, a distribuição também se deslocou para o sul, a uma velocidade estimada de 40 quilômetros por ano.

Fatores associados ainda serão investigados

De acordo com Morais, os próximos passos incluem investigar fatores associados à tendência observada, como a influência do clima e o papel da introdução de sorotipos do vírus. A aplicação da metodologia a zika e chikungunya ainda precisa ser avaliada, pois cada vírus tem características e condições próprias de transmissão.

Os pesquisadores também pretendem ampliar a colaboração com instituições de outros países das Américas para verificar se mudanças semelhantes podem ser identificadas além do Brasil. Segundo Morais, a análise da distribuição pode contribuir para a vigilância e para a criação de sistemas de alerta.

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