Biópsia líquida e tecido tumoral: como diferem na oncologia

Exames investigam alterações moleculares do câncer e podem apoiar decisões sobre terapias; escolha depende do quadro clínico e da amostra disponível.

O sequenciamento genético de tumores pode identificar alterações no DNA das células cancerosas que ajudam a apontar biomarcadores associados a terapias direcionadas e estratégias individualizadas. Segundo Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da CENTOGENE, a utilidade dessas informações também depende de elas estarem disponíveis a tempo de contribuir para a decisão terapêutica.

Os painéis somáticos de sequenciamento de nova geração, ou NGS, analisam simultaneamente dezenas ou centenas de genes em uma amostra tumoral. De acordo com a empresa, eles buscam alterações adquiridas pelas células cancerosas durante o desenvolvimento da doença. Conforme o tipo de tumor e os achados, os dados podem ajudar a avaliar terapias-alvo ou a elegibilidade para determinados estudos clínicos.

Tecido e sangue investigam o tumor por caminhos diferentes

O sequenciamento pode usar tecido tumoral obtido por biópsia ou cirurgia. Já a biópsia líquida analisa uma amostra de sangue em busca de fragmentos de DNA tumoral circulante, chamados ctDNA, liberados pelas células cancerosas na corrente sanguínea.

Segundo Parmeggiani, os métodos podem ser complementares. A análise de tecido estuda diretamente o material do tumor, enquanto a biópsia líquida é uma alternativa menos invasiva para obter informações moleculares quando uma nova coleta de tecido é difícil, arriscada ou não está disponível.

Essa investigação é diferente dos testes genéticos germinativos, voltados à identificação de predisposições hereditárias ao câncer. No caso dos painéis somáticos e da biópsia líquida descritos pela CENTOGENE, o foco são alterações adquiridas pelas células tumorais em um câncer já desenvolvido.

Resultado precisa se adequar ao contexto clínico

A escolha entre analisar tecido ou sangue depende das condições clínicas, da disponibilidade da amostra e da informação necessária, afirma o especialista. Ele ressalta que não há um único exame capaz de responder a todas as perguntas em oncologia.

Segundo o material divulgado pela empresa, uma atualização de 2024 do grupo de trabalho de Medicina de Precisão da Sociedade Europeia de Oncologia Médica ampliou recomendações para sequenciamento tumoral em pacientes com câncer avançado, incluindo câncer de mama avançado, sarcomas, câncer de tireoide e tumores de origem primária desconhecida. O texto também cita recomendação da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, publicada em 2026, para considerar testes de DNA tumoral circulante quando a biópsia de tecido não for viável, oferecer riscos ou não entregar resultados em tempo clinicamente adequado.

Parmeggiani abordará o tema em palestra no Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, em 6 de novembro, no Rio de Janeiro. A apresentação discutirá painéis de NGS de 50 a 500 genes e a integração dos resultados moleculares à avaliação médica.

👁️ 42 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar