Após os 40, cérebro segue se reorganizando, apontam estudos

Pesquisas citadas no release associam sono, movimento, estímulo cognitivo e convívio social à memória e à atenção ao longo dos anos.

O cérebro continua a fortalecer e enfraquecer conexões depois dos 40 anos, segundo pesquisas divulgadas entre 2025 e 2026 citadas pela neuropsicóloga Anelise Pirola. Para a especialista, sono, atividade física, estímulo cognitivo e convívio social influenciam a memória e a atenção, enquanto a reorganização cerebral não é necessariamente favorável.

Um estudo da Universidade de Cambridge divulgado em 2025 analisou dados de conectividade cerebral ao longo da vida e identificou cinco grandes fases. De acordo com a pesquisadora Alexa Mousley, a idade adulta, dos 32 aos 66 anos, é um longo período de relativa estabilidade da rede neural, antes de uma nova inflexão.

Outra pesquisa, publicada na revista Science, analisou o hipocampo de 40 adultos entre 20 e 100 anos. Os resultados citados no material indicam que alterações ligadas à idade não ocorrem em linha reta e que há uma mudança importante por volta da meia-idade, envolvendo células de defesa do cérebro e a organização do DNA.

Estudo acompanhou adultos com risco de declínio cognitivo

O ensaio clínico U.S. POINTER, publicado no JAMA em julho de 2025, acompanhou 2.111 adultos de 60 a 79 anos com risco de declínio cognitivo durante dois anos. Segundo o release, participantes de um programa estruturado com atividade física, nutrição, estímulo cognitivo e social e monitoramento cardiovascular tiveram ganho cognitivo maior do que os que seguiram um plano autoguiado. Análises divulgadas em dezembro de 2025 também apontaram benefícios para o sono e a regulação da pressão arterial.

O material também cita a Comissão Lancet sobre demência, de 2024, que identificou 14 fatores de risco modificáveis, como perda auditiva não tratada, inatividade física, hipertensão, isolamento social e depressão. A comissão estima que cerca de 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou adiados.

“A plasticidade não acaba aos 40, mas passa a exigir intenção. O cérebro continua aprendendo, só que o que o cerca, como sono ruim, multitarefa e estresse crônico, ensina a ele padrões que cobram a conta mais tarde”, afirma Anelise Pirola.

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